FEB – A Tarefa Rotineira de Matar

feb_1Como foi tradição, as narrativas sobre a participação brasileira na campanha da Itália se pautaram por um tom grandiloqüente, de forma geral ressaltando a importância dos grandes comandantes e da liderança em alto escalão. Essa versão da história da FEB acabou provocando um efeito negativo, pois gerou desconfiança semelhante àquela com que os leitores em geral olham as costumeiras e já desgastadas abordagens utilizadas nos demais textos clássicos sobre os episódios militares de nosso país, em geral apologéticos e triunfalistas. Em contraposição a essa vertente, nas últimas décadas foi bastante difundida a opinião de que as tropas brasileiras chegaram às linhas de frente no fim do conflito, tendo enfrentado um inimigo cansado que defendia posições secundárias de forma fraca reticente.

De acordo com tal versão, a participação da FEB na fase final da campanha da Itália teria sido de pouca relevância para o desfecho das operações do V Exército Americano, ao quais os brasileiros estavam subordinados. Por conta dessa visão, certas narrativas da ação brasileira nos campos de batalha eram marcadas por ceticismo ou mesmo zombaria. O resultado foi que não se deu a devida atenção à realidade vivida por dezenas de milhares de jovens brasileiros. Convocados entre 1942 e 1944, foi um país de clima muito diferente enfrentar um inimigo experiente, que às vezes tinha uma vantagem desproporcional em função do terreno montanhoso.



FEB – A Guerra em Tempo de Paz

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Em maio de 1945, a guerra na Europa chegava ao fim e os expedicionários brasileiros se preparavam para voltar para casa. Se no Brasil se organizavam festas para recebê-los, as maiores movimentações se davam, no entanto, na área política.



FEB – Vitórias e Derrotas

8 DE MAIO – CONSAGRAÇÃO DA VITÓRIA

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Getulio Vargas e o Ministro da Guerra General Dutra

Embora a guerra tenha terminado no dia 2 de maio, o Armistício só foi assinado no dia 8. Esse dia tem para o mundo, e principalmente para a FEB, um significado muito especial. Foi o dia em que aquela tropa, que havia saído do Brasil desacreditada e que, com o correr da campanha, foi-se agigantando, cobriu-se de glória. Retomaria à Pátria com os louros da vitória! Mesmo antes de chegarem de volta os pracinhas, essa vitória e suas conseqüências começaram a assustar os dirigentes. Vivíamos em um regime ditatorial, e a FEB estava justamente combatendo o mesmo tipo de governo. O retorno dessa tropa altamente treinada e completamente imbuída do espírito de liberdade era uma ameaça para o governo. A fim de tentar evitar que eclodisse outra guerra, dessa vez interna, sendo a grande parte do pessoal integrante da FEB da reserva, baixou as autoridades um decreto considerando a convocação somente até o dia 8 de maio. Assim sendo, a FEB FOI DESMOBILIZADA AINDA NA ITÁLIA.



FEB – Vitórias na Guerra, Derrotas na volta para Casa

Soldado com Neurose de Guerra e o Presidente Getúlio Vargas

Uma parte daquela massa, que agora voltava, estava fisicamente bem; outra estava mutilada, ferida, em convalescença, com neurose de guerra.



FEB – O Retorno dos Pracinhas ao Brasil

No dia 18 de julho de 1945 desembarcava no Rio o primeiro escalão expedicionário, ovacionado pela cidade inteira mas, então, a FEB não existia mais, pelo menos como corpo regular do Exército. Deixara de existir 12 dias antes, no dia 16 de julho, exatamente na data em que o primeiro escalão embarcava na Itália de volta ao Brasil. À providência fora do ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, que determinava, através de uma portaria, que as unidades expedicionárias chegadas ao Rio deviam “passar automaticamente à subordinação da 1ª Região Militar”.

É que o Estado Novo, ainda vigente, que temera a ida da FEB, temia ainda mais, agora, a sua volta. E a apressada desmobilização e dissolução da FEB, apenas dois meses após o término da Guerra e 12 dias antes do seu retorno ao Brasil, era a prova mais flagrante dos temores da ditadura brasileira.



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