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	<title>Segunda Guerra.org &#187; Em Combate</title>
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	<description>O Maior Acervo sobre a Segunda Guerra Mundial</description>
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		<title>Relato da Segunda Guerra &#8211; O Sopro da Vida &#8211; Notas de um Expedicionário Médico da FEB</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 21:44:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>
		<category><![CDATA[Força Expedicionária Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[Historias da FEB  &#8211; O Sopro da Vida Estamos acostumados a ler muitas matérias sobre batalhas, táticas, armamentos, relatos etc&#8230; Mas é muito difícil ler sobre os médicos e sobre historias dos hospitais de campanha. Segue abaixo um texto extraído do livro “Notas de um Expedicionário Médico” de Alípio Corrêa Netto. Esperamos que esse texto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span>Historias da FEB  &#8211; O Sopro da Vida</span></strong></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Estamos acostumados a ler muitas matérias sobre batalhas, táticas, armamentos, relatos etc&#8230; Mas é muito difícil ler sobre os médicos e sobre historias dos hospitais de campanha. Segue abaixo um texto extraído do livro <strong>“Notas de um Expedicionário Médico” </strong>de<strong> Alípio Corrêa Netto</strong>.</p>
<p>Esperamos que esse texto possa mostrar um pouco do sentimento dos médicos, enfermeiros e soldados em geral passado nos hospital de campanha da FEB em Valdibura – Itália.<span id="more-6151"></span></p>
<p>No dia 04/12/1944 ocorreram dois acontecimentos que marcaram esta data: um é triste e o outro auspicioso.</p>
<div id="attachment_6152" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2010/07/alipio.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[6151]"><img class="size-full wp-image-6152" title="alipio" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2010/07/alipio.jpg" alt="" width="150" height="235" /></a><p class="wp-caption-text"> Alípio Corrêa Netto</p></div>
<p>O primeiro está ligado ao rapazola operado anteontem. Já perfeita­mente bem, sem temperatura pouco elevada, respiração tranquila, embora queixoso de muita dor. Pela manhã sentiu ansiedade respiratória. O enfer­meiro nada nos comunicou, uma vez que eram bons o pulso e a pressão arterial. Ao passarmos pela enfermaria, antes mesmo de ir ao refeitório para a primeira refeição, notamos a dispnéia do nosso ferido; preocupamo-nos, corremos para providenciar a aspiração traqueal, por parecer-nos certo que o sangue coagulado nos seus brônquios o sufocaria rapidamente. Não houve mais tempo num minuto morria, sereno, suavemente, conservan­do ainda a fisionomia inocente e meiga de um meninão em  repouso. Pedro Laurindo Filho deu sua vida em defesa de um ideal, as suas feições pare­ciam indiferentes ao supremo sacrifício. O herói tombou desconhecido, o esquecimento pesará sobre seu túmulo.</p>
<p>Um soldado é nada quando a inconformidade leva os povos às lutas fratricidas, mas muitos corações enlutaram-se bem longe da cena dramática e as lágrimas correram também em silêncio.</p>
<p>O outro caso foi o reverso da medalha. Baixou ao hospital pelas 16 horas um sargento do 11.° R.I. (11.° Regimento de Infantaria), gravemente atingido por estilhaço de granada na região cervical, produzindo grande hemorragia. O ferido permaneceu no campo de batalha durante muitas horas, antes de ser recolhido. Ao chegar encontrava-se pálido, palidez ma­cilenta da morte, sem pulso, sem movimentos respiratórios, não se sentia, nem ouvia o seu coração. O médico norte-americano, que o atendeu na enfermaria de choque, registrou na sua papeleta; &#8220;Rac. 16h25min hr-3.12.44 Pulse and cardiac impulse not perceptible, occasional shallow respiration. Received artificial respiration, inhalation 02, intracardiac adrenaline (2cc). Expired — 16:40 hr a R.B.&#8221; (Recebido às 16:25 de 3.12.1944. Pulso e batimento cardíacos imperceptíveis. Respiração superficial ocasional. Rece­beu respiração artificial, inalação de oxigênio, adrenalina intracardíaca (2cc). Morreu às 16:40h)&#8217;.</p>
<p>Estava tudo terminado. Mais um a figurar na galeria dos heróis igno­rados. Mas assim não quis o destino, que anda pelo mundo a fazer-nos sur­presas, ora amargas, ora felizes. Ao voltarmos do jantar, aí pelas 16h45min horas um dos nossos colegas teve a curiosidade de conhecer a fisionomia do &#8220;morto&#8221;, já que vestia farda brasileira e poderia ser algum conhecido. Levantou a coberta que velava o rosto do &#8220;cadáver&#8221;, nesse exato momento o paciente emitiu fraquíssimo esforço inspiratório, desses que assinalam os últimos indícios de vida. Esperou atento alguns segundos e o tênue sinal vital repetiu-se, embora mais fracamente, mas perfeitamente apreciável; também a ligeira coloração rósea da face se tornava indicativa de alguma circulação sanguínea. Foi chamado de novo o colega americano que no momento estava de serviço; a ele entregou-se a fundo à &#8220;milagrosa&#8221; tarefa de &#8220;ressurreição&#8221;. Não era possível pensar em encontrar uma veia nos membros, tão rapidamente como exigiam as circunstâncias para a trans­fusão. Esta foi iniciada pelo corpo cavernoso. Limpeza da garganta e apli­cação de oxigênio sob pressão através de cânula metida na traqueia. A seguir, dissecaram-se duas veias no braço e perna, e dois aparelhos bem instalados vertiam, para dentro do sistema circulatório, duas correntes con­tínuas de sangue. E o líquido generoso foi abrindo, através daqueles tecidos enregelados, já quase dominados pelo frio da morte, a estrada maravilhosa da vida. O pulso surgia como por encanto, a respiração restabeleceu-se, o doente pode ser radiografado.</p>
<p>Às 20 horas depois de três horas de luta com a morte, estava o nosso sargento redivido com a pele quente e já em plena consciência. Operamo-lo a seguir. Ele suportou o longo ato cirúrgico, saindo da sala, três horas de­pois, em pleno equilíbrio metabólico.</p>
<p>O nome dado à enfermaria de choque &#8220;ressuscitation ward&#8221; não esta­va muito longe da realidade, pela tradução literal &#8220;enfermaria de ressur­reição&#8221;. Este ferido morreu num hospital, teve atestado de óbito, passado, aliás, por um bravo lutador no tratamento de estado de choque, o capitão R. B. é, quase, portanto, verdadeira ressurreição.</p>
<p>Durante o tempo que o homem estava sob os nossos cuidados passou bem, embora mentalmente confuso. Não temos certeza se a confusão era consequência da isquemia cerebral devida à gravidade de sua afecção ou se não era um pouco de mistura da magnificência que entrevira no além com o terra-a-terra do nosso mundo. Jamais tivemos ânimo de indagar. Res­peitamos a paz espiritual que o nosso sargento muito merecia.</p>
<p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2010/07/alipio2.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[6151]"><img class="aligncenter size-full wp-image-6156" title="alipio2" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2010/07/alipio2.jpg" alt="" width="500" height="533" /></a></p>
<p><strong>Fonte:</strong> Notas de um Expedicionário Médico &#8211; <br />
 Alípio Corrêa Netto &#8211; <br />
 Editora: Almed<br />
 Pag: 50 até 52</p>
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		<title>Morte de Frei Orlando, o Capelão da FEB</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 17:06:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Luiz!</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>

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		<description><![CDATA[A Morte de Frei Orlando Sobe um Santo ao Céu Fevereiro é um mês assinalado nos anais da Força Expedicionária Brasileira, porque foi quando as nossas tropas iniciaram o assalto definitivo ao Monte Castelo. Os alemães, entretanto, julgavam-no intransponível, tamanha a sua resistência e tão bem preparadas as suas fortificações. Mas, Deus não nos desamparava. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>A Morte de Frei Orlando</h1>
<p>Sobe um Santo ao Céu</p>
<p>Fevereiro é um mês assinalado nos anais da Força Expedicionária Brasileira, porque foi quando as nossas tropas iniciaram o assalto definitivo ao Monte Castelo. Os alemães, entretanto, julgavam-no intransponível, tamanha a sua resistência e tão bem preparadas as suas fortificações. Mas, Deus não nos desamparava. A guerra teria seu epílogo. Não se pode fugir aos episódios reais de um acontecimento, quando, tentando descrevê-los para a posteridade, passamo-los para as páginas dos livros. E este livro não é assunto de ficção, mas o retrospecto vivo, autêntico, dos fatos desenrolados na Segunda Guerra.</p>
<div id="attachment_2576" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/04/feriorlando.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[6108]"><img class="size-full wp-image-2576" title="feriorlando" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/04/feriorlando.jpg" alt="" width="450" height="600" /></a><p class="wp-caption-text">Frei Orlando</p></div><span id="more-6108"></span></p>
<p style="text-align: left;">
<p> Daí a forma com que, muitas vezes, ressaltamos a bravura de muitos companheiros, que, armas na mão, souberam honrar e enaltecer a FEB, mas, sobretudo, a nossa Pátria. Entre eles, pelas suas qualidades, suas virtudes da alma, está Frei Orlando! Verdade é que a nossa luta já está esquecida, em parte, mas ficará como exemplo às porvindouras gerações. Como nos ficaram os heroicos acontecimentos da Guerra do Paraguai. Wilson Ramos, o primeiro que se sacrificou nas fileiras do nosso Regimento; Orlando Randi, que morreu empunhando uma bandeira nazista, arrebatada em pleno combate; Max Wolf Filho, o terror dos tedescos; Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Rodrigues de Souza e Geraldo Baeta da Cruz, os &#8220;três heróis brasileiros&#8221; &#8211; expressão dos alemães que os enterraram após determinado combate; Ary Rauen, Ruy Lopes Ribeiro e outros bravos entre os que mais o foram, são, hoje, apenas, personagens de uma tragédia, que se perde na voragem dos anos. Outras guerras, frutos da maldade e incompreensão dos homens, já se vão desaparecendo do nosso pensamento, embora consignados nos livros. Outras tragédias bélicas, todavia, hão de vir.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>(&#8230;) Vamos, agora, às nossas posições, nos Apeninos aonde o inverno, já ia declinando, mas onde também continuava sem trégua a luta.</p>
<p>19 de fevereiro de 1945. Tanques, jipes, carros de assalto, canhões de todos os calibres cruzam as estradas, protegidos pela cortina de fumaça. O movimento empreendido revelava, claramente, os preparativos para o ataque ao Monte Castelo, que os alemães julgavam intransponível. Mas, assim como a célebre Linha Maginot, de que tanto se orgulhavam os franceses, Monte Castelo também ruiria com o término do inverno. Aos nossos inimigos a iminência do ataque não passava despercebida, por isso que, ininterruptamente, martelavam as nossas posições, tentando desarticular os nossos movimentos. Pelas imediações do &#8220;Gigante de Pedra&#8221;, defendido com unhas e dentes, concentram-se todas as forças brasileiras em ação, cabendo ao 1º Regimento de Infantaria &#8211; Regimento Sampaio &#8211; com apoio de algumas subunidades do 11º e do 6º RI, assaltar o reduto duramente defendido. Nosso I Batalhão reúne-se na região de Sila e o II lança-se diretamente ao ataque, para apoio iminente. Eis como nos descreve, de forma fiel, o desenrolar dos acontecimentos, o Cel. Rui Leal Campelo, um bravo do 1º RI:</p>
<p>&#8220;Corriam os primeiros dias do já distante mês de fevereiro de 1945.</p>
<p><div id="attachment_2578" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/04/orlando1.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[6108]"><img class="size-full wp-image-2578" title="orlando1" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/04/orlando1.jpg" alt="" width="700" height="398" /></a><p class="wp-caption-text">Frei Orlando celebrando Missa</p></div>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p>A tropa da 1ª Divisão Expedicionária, incorporada ao IV Corpo do V Exército Americano, aguardara, com estafantes e penosas vigílias, o escoamento daqueles árduos e enregelados dias do inverno de 1944-1945. Cumpria-lhe, agora, passar à ofensiva, como parte do plano estabelecido pelo Comando Aliado do Grupo de Exércitos que operava na Península Itálica, destinado a romper a Linha Gótica, capturando os escarpados maciços de Capel Buzzo &#8211; Monte Gorgolesco -Capela de Ronchidos -Monte Castelo &#8211; Monte Dela</p>
<p>Torraccia, que uma vez conseguido, abriria o caminho da rota 64, colocando nas mãos dos aliados o importante ponto chave da Cidade de Bolonha. (&#8230;) O uniforme brasileiro assemelhava-se pela cor ao alemão, apesar das providências tomadas para que a tropa atacante utilizasse o &#8216;field-jacket&#8217; americano, de cor cáqui a fim de melhor identificá-la. Felizmente isto é contornado, sendo indicada aos americanos a direção da estrada principal para onde conduzem eles, logo após, alguns prisioneiros alemães, fazendo com que os últimos transportem, em uma lona de barraca alemã, um infante americano ferido. As ações e os movimentos se sucedem, com grande rapidez e mesmo perfeição.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>O comportamento da tropa atacante podia-se assemelhar, a essa altura, ao de uma infantaria executando manobra em campo de instrução. Monte Castelo começa a ser abordado e o escalão de ataque toma pé, incontinente, nas alturas 977. Súbito, um foguete luminoso corta os ares, sendo assinalado, pelos postos de observação. E três estrelas verdes, que no código de sinais significavam objetivo conquistado, são vistas por sobre o compartimento de ataque. Eram os primeiros elementos que atingiam a crista e apontavam pela utilização desse artifício, a direção dos companheiros do escalão de apoio, por isso que, rapidamente, a escuridão faria sentir seus efeitos tão temerosos nessas circunstâncias. Os alemães, duramente batidos pelos fogos de artilharia de apoio e pelo vigor da manobra executada pelos atacantes, ainda conseguem evacuar a região, apoiando-se na resistência de La Torraccia já entestada pelos americanos. Cias de Fuzileiros coroam, finalmente, o objetivo, porém mais um esforço ainda deveria ser despendido. Todos, do capitão ao volteador, organizam um terreno e cavam seus &#8216;fox-holes&#8217;, pois só assim estariam em condições de assegurar a posse das alturas conquistadas e fazer face a um contra-ataque alemão, sempre esperado.&#8221;</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Aqui, agora, pedimos vênia ao Cel. Campelo (que tornou ostensiva, alhures, esta perfeita descrição do ataque ao Castelo, constituindo um valioso subsídio para os futuros historiadores) para que nos permita &#8220;fazer alto&#8221; na sua magnífica página. É que vamos dizer o que se passava nas linhas do 11º RI, antes da queda definitiva do Monte Castelo. E vamos caminhar com Frei Orlando rumo à lamentável tragédia. Conforme nos foi dado ver, linhas acima iam encarniçando o ataque ao referido Monte. As notícias que nos chegavam diziam da impetuosidade dos nossos companheiros galgando resolutamente as  posições a serem atingidas. Mas, por outro lado, afirmavam, as perdas são sensíveis. Muitos feridos, muito sangue, dores, gemidos. Frei Orlando vendo o que se passava, ficou preso de profunda emoção e a todos externava que iria mais para frente, onde os nossos soldados misturavam seu sangue com a neve em degelo.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Ao longe, na garupa do Castelo, o divisava os aviões brasileiros e americanos despejando toneladas e mais toneladas de bombas, enquanto a fumaça ia subindo em rolos densos. Crepitava a tralha, espocavam os morteiros e rugiam armas de toda espécie. O 1º RI apoiado como vimos pelo nosso regimento (11º RI) ataca furiosamente. Os alemães, que menosprezavam as nossas possibilidades, agora estavam ali naquela agonia, sob o impacto tremendo dos nossos bombardeios e de nosso ataque, sentindo o peso de nossa força, a pressão do nosso avanço e, sobretudo, da nossa coragem. Percebiam, deviam perceber que, tendo em vista o nosso ataque, a sua derrota seria iminente, incontrolável, dependendo apenas de tempo. Nosso capelão ajustou seu equipamento, apanhou o estojo de hóstias e saiu morro acima, galgando as estradas. Antes, porém, teve quem tentasse demovê-lo do intento, mostrando-lhe o perigo a que se expunha. Teimoso como sempre, saiu vingando as elevações no sopé do Castelo. Subindo aqui, descendo ali, ocultando-se, ora às vistas inimigas, ora dos tiros de artilharia, marchava resoluto, a fim de levar consolo e conforto espirituais aos que morriam na operação do ataque desfechado. A meio caminho tenta galgar as posições da 6ª Cia rumo a Docce, itinerário recomendado pelo seu Comandante de Batalhão, Major Orlando Gomes Ramagem. Quando se encontrava a 300 metros, aproximadamente, de Bombiana, passa por ele um jipe. Inteirado da direção da viatura, nela tomou lugar, tendo por companheiros o Capitão Francisco Ruas Santos, o Cabo Gilberto Torres, motorista, uma praça do II Batalhão do nosso Regimento e um sargento italiano, dos postos à disposição da tropa brasileira, para os serviços de transporte em montanhas. O Cel. Ruas, escritor-militar, assim descrevem, em documento valioso que nos enviou a continuação da viagem, até o desfecho trágico e imprevisto:</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>&#8220;Frei Orlando, em caminho, depois de dizer o que fizera pela manhã, e o que ainda pretendia fazer, falava de uma irradiação feita pelos holandeses livres, para a parte ocupada do seu País. A uma observação qualquer, ainda soltou uma de suas costumeiras gargalhadas. O jipe marchava lentamente, subindo e descendo as elevações, quando, de repente, estaca imobilizado por uma pedra. Prendia esta o eixo dianteiro. Os passageiros conseguem retirar a viatura que é posta a alguns metros além da pedra fatídica.&#8221;</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>E continua o Cel. Francisco Ruas Santos:</p>
<p>&#8220;Tomo a manícula do jipe e me esforço para removê-la. O sargento italiano, no intuito de ajudar-me, recurva-se junto à pedra e também tenta retirá-la a violentas coronhadas de sua carabina. Esta dispara e Frei Orlando, que se achava parado a uns três metros, é atingido pelo projétil. Solta um grito, leva a mão ao peito, dá alguns passos à frente, tirando ao mesmo tempo do bolso do casaco o seu terço e balbuciando, às pressas, uma Ave-Maria. Corro para ele e o faço deitar-se à margem do caminho. A oração, apenas começada, é abafada pelo ofegar da agonia. Tudo isso, desde o fatal disparo, dura dez segundos. Retorno rapidamente à Docce, em busca de socorro médico e trago o Capitão João Batista Pereira Bicudo, facultativo do Batalhão.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Este pode apenas verificar achar-se morto o Capelão, desde o momento, talvez, que acabara de ser deitado à margem do caminho. O italiano, abraçado ao corpo do Capelão, chorava e se lamentava. Um pastor das redondezas, na sua natural indiferença, contemplava esta cena. O médico descobre-se, persigna-se e reza pela alma de Frei Orlando, no que é seguido por mim e pelo cabo.&#8221;</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>&#8220;Maktub&#8221; tinha de ser, estava escrito. Só Deus, na sua alta sabedoria, pode explicar o porquê daquela imensa tragédia, tão brutal quanto imprevista, tão chocante quanto dolorosamente lamentada. Eram, aproximadamente, 14 horas do dia 20 de fevereiro de 1945! No Monte Castelo, as bombas estouravam, porque a cidadela nazista ainda não havia caído!</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Tenente Gentil Palhares.</p>
<p>&#8220;Frei Orlando, o Capelão que não voltou&#8221;.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
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		<title>As Armas da FEB na Segunda Guerra Mundial</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 14:46:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andre Luiz!</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante a Segunda Guerra Mundial, a FEB entrou no conflito para lutar contra as forças nazi-facistas. Os soldados brasileiros rumaram para a Europa sob olhares de desconfiança e descrédito da população civil. A tropa era despreparada, o material precário, o uniforme mesclado com peças brasileiras e peças dos EUA. Porém nosso soldado provou que do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante a Segunda Guerra Mundial, a FEB entrou no conflito para lutar contra as forças nazi-facistas. Os soldados brasileiros rumaram para a Europa sob olhares de desconfiança e descrédito da população civil.</p>
<p>A tropa era despreparada, o material precário, o uniforme mesclado com peças brasileiras e peças dos EUA. Porém nosso soldado provou que do pouco pode se tirar o muito. Superando todas as expectativas, voltaram vitoriosos e deixaram sua marca na história.<span id="more-3849"></span></p>
<p>Neste artigo poderemos conferir o armamento geralmente utilizado pela FEB em combate as tropas nazi-facistas.</p>
<p><strong><span style="font-size: medium;">Carabina M-1</span></strong></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/m1car.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3850" title="m1car" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/m1car.jpg" alt="m1car" width="549" height="124" /></a><br />
Calibre: .30 M1 ou .30 Carbine<br />
Sistema de Operação: A gás, com ferrolho rotativo<br />
Regime de Fogo: Semi-Automático<br />
Peso: 2,7 kg com carregador de 15 cartuchos<br />
Capacidade: 5, 15 e 30 cartuchos<br />
Comprimento: 905 mm</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Submetralhadora M-3, &#8220;Grease Gun&#8221;</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/greasegun.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3855" title="greasegun" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/greasegun.jpg" alt="greasegun" width="555" height="317" /></a></p>
<p>Calibre: .45 ACP<br />
Sistema de Operação: Blowback, ferrolho aberto<br />
Regime do Fogo: Apenas Automático<br />
Peso: 4,48 kg (carregada)<br />
Capacidade: 30 cartuchos<br />
Comprimento: 762 mm (com coronha estendida)<br />
Cadência de Tiro: 450 tiros por minuto</p></blockquote>
<p><strong><span style="font-size: medium;">Submetralhadora Thompson M1A1 .45 ACP</span></strong></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/tommygun.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3858" title="tommygun" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/tommygun.jpg" alt="tommygun" width="562" height="250" /></a><br />
Calibre: .45 ACP<br />
Sistema de Operação: Blowback, ferrolho aberto<br />
Regime do Fogo: Semi-Automático e Automático<br />
Peso: 4,7 Kg com carregador de 30 cartuchos<br />
Capacidade: 20 ou 30 cartuchos<br />
Comprimento: 813 mm<br />
Cadência de Tiro: 700 Tiros Por Minuto</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Pistola Colt .45 ACP</strong></span></p>
<blockquote><p><span style="font-size: medium;"><strong><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/colt45.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3860" title="colt45" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/colt45.jpg" alt="colt45" width="460" height="301" /></a><br />
</strong></span></p>
<p>Calibre: .45 ACP<br />
Funcionamento: Semi-Automático<br />
Principio de Funcionamento: Blowback, ferrolho aberto<br />
Peso:1,106 Kg<br />
Capacidade: 7 cartuchos<br />
Comprimento: 21,6 cm<br />
Alcance Útil: 50 m</p></blockquote>
<p><strong><span style="font-size: medium;">Revolver Smith &amp; Wesson .45, modelo 1917</span></strong></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Rev45.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3861" title="Rev45" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Rev45.jpg" alt="Rev45" width="400" height="198" /></a><br />
Calibre: .45 ACP Auto Rim<br />
Funcionamento: ação dupla<br />
Peso: 2,26 Kg<br />
Capacidade: 6 cartuchos<br />
Comprimento: 27,43 cm<br />
Alcance Útil: 50 m</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Fuzil Springfield</strong></span></p>
<blockquote><p><span style="font-size: medium;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Rifle_Springfield_M1903A3.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3862" title="Rifle_Springfield_M1903A3" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Rifle_Springfield_M1903A3.jpg" alt="Rifle_Springfield_M1903A3" width="557" height="111" /></a><br />
Calibre: .30-06 (7, 62 x 63)<br />
Principio de Funcionamento: Ação muscular do atirador<br />
Peso: 3,910 Kg<br />
Capacidade: 5 cartuchos<br />
Comprimento: 1,115 cm<br />
Comprimento da Baioneta: 0,306 cm</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Fuzil Garand</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/GarandRifle.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3864" title="GarandRifle" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/GarandRifle.jpg" alt="GarandRifle" width="534" height="98" /></a></p>
<p>Modelo: M1<br />
Calibre: 7,62 x 63 mm<br />
Alimentação: clipe de oito cartuchos era impossível alimentação individual de cartuchos<br />
Velocidade inicial: 822,96 m/s<br />
Comprimento: 109,22 cm<br />
Comprimento do cano: 60,96<br />
Peso: 4,3 kg<br />
Miras: de abertura ajustável, 100 a 1200 jardas<br />
Método de operação: recuperação a gás<br />
Tipo de fogo: tiro a tiro</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Fuzil Metralhador Browning – B.A.R</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/bar1918.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3866" title="bar1918" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/bar1918.jpg" alt="bar1918" width="551" height="166" /></a></p>
<p>Calibre: .30-06 (7, 62 x 63)<br />
Sistema de Operação: A gás, com ferrolho aberto<br />
Regime do Fogo: Semi-automático<br />
Peso: 8.33 kg<br />
Capacidade: carregador com 20 cartuchos<br />
Comprimento: 1214 mm<br />
<strong>Cadência de tiro</strong>: 500 tiros por minuto (cíclica)<br />
<strong>Alcance</strong>: preciso até 550 m.</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Metralhadora Browning M-919</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/m1919a4_2.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3867" title="m1919a4_2" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/m1919a4_2.jpg" alt="m1919a4_2" width="563" height="241" /></a></p>
<p>Calibre: .30-06 (7, 62 x 63)<br />
Princípio de Funcionamento: Curto recuo do cano<br />
Funcionamento: Automático<br />
Peso:14,07 Kg<br />
Carregador : Tipo fita de lona<br />
Capacidade: 100 ou 250 cartuchos<br />
Comprimento: 1,036 m<br />
Cadência de Tiro: 250 tiros por minuto<br />
Alcance Útil: 540 m</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Metralhadora Bronwning M2</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/Browning-M2HB.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3868" title="Browning-M2HB" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/Browning-M2HB.jpg" alt="Browning-M2HB" width="561" height="194" /></a></p>
<p>Calibre: .50 (12,7 mm)<br />
Funcionamento: Semi-Automático e Automático<br />
Peso: 39 Kg<br />
Carregador : Tipo fita de metal<br />
Capacidade: 100 ou 250 cartuchos<br />
Comprimento:<br />
Cadência de Tiro: 400 a 600 tpm<br />
Alcance Útil: 1.800 m</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Granada de Mão MK-II A1</strong></span></p>
<blockquote><p><span style="font-size: medium;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/MkII_07.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3869" title="MkII_07" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/MkII_07.jpg" alt="MkII_07" width="269" height="368" /></a><br />
</strong></span></p>
<p>Estilhaços: Aproximadamente 50 fragmentos<br />
Peso: 540 g<br />
Diâmetro: 5 cm<br />
Comprimento: 10 cm<br />
Explosivo: Pólvora granulada<br />
Espoleta: Detona em aproximadamente 4 segundos<br />
Raio de Ação: 30 m</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Lança-Chamas</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/M2Flamethrower.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3870" title="M2Flamethrower" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/M2Flamethrower.jpg" alt="M2Flamethrower" width="549" height="342" /></a></p>
<p>Alcance: 70 metros, dependendo da mistura de combustível<br />
Peso: 34 Kg carregado<br />
Capacidade: 20 cargas intermitentes</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Lança-Rojão 2.36 pol. M9A1 (Bazooka)</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/bazooka.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3871" title="bazooka" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/bazooka.jpg" alt="bazooka" width="548" height="411" /></a></p>
<p>Calibre: 2.36 pol. ou 60mm<br />
Funcionamento: Repetição<br />
Principio de funcionamento: Ação de uma corrente elétrica, sobre o rojão<br />
Peso: 6,800 Kg<br />
Comprimento: 155 cm<br />
Alcance Útil: 270 m<br />
Peso do Foguete: 1,53 Kg<br />
Fonte de Energia: Magneto colocado no punho<br />
Aparelho de Pontaria: Visor fixo, graduado de 0 a 600 jardas</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Morteiro de 60 mm</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/mort60.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3872" title="mort60" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/mort60.jpg" alt="mort60" width="400" height="442" /></a></p>
<p>Calibre: 60 mm<br />
Sistema de Operação: Ação muscular do atirador<br />
Regime do Fogo: 12 disparos por minuto<br />
Peso do tubo (cano): 3,8 kg<br />
Peso do tripé: 5,0 kg<br />
Peso da placa &#8211; base: 4,0 kg<br />
Alcance Útil: 2.050 m</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Morteiro de 81 mm M-1</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/mort81.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3873" title="mort81" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/mort81.jpg" alt="mort81" width="350" height="491" /></a></p>
<p>Calibre: 81 mm<br />
Sistema de Operação: Ação muscular do atirador<br />
Regime do Fogo: 12 disparos por minuto<br />
Peso do tubo (cano): 38,6 kg<br />
Peso do tripé: 14,3 kg<br />
Peso da placa &#8211; base: 12 kg<br />
Alcance Útil: 5.800 m</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Canhão de 37 mm</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/37mmM3c.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3874" title="37mmM3c" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/37mmM3c.jpg" alt="37mmM3c" width="565" height="247" /></a></p>
<p>Calibre: 37 mm<br />
Regime do Fogo:<br />
Peso: 413.68 kg<br />
Comprimento: 3.92 m<br />
Alcance: 6.9 km</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Canhão de 57 mm, &#8220;SixPounder”</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/can57.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3875" title="can57" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/can57.jpg" alt="can57" width="500" height="332" /></a></p>
<p>Calibre: 57 mm<br />
Alcance: 2.800 m<br />
Poder de Penetração: em blindagens, 80 mm<br />
Peso: 1.200 kg</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Obus de 105 mm M-101</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/1b55tg.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3876" title="1b55tg" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/1b55tg.jpg" alt="1b55tg" width="573" height="187" /></a></p>
<p>Calibre: 105 mm<br />
Alcance: 11.000 m<br />
Peso: 2.270 Kg</p></blockquote>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Obus de 155 mm M-1</strong></span></p>
<blockquote><p><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/obus155.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3849]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3877" title="obus155" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/08/obus155.jpg" alt="obus155" width="464" height="274" /></a></p>
<p>Calibre: 155 mm<br />
Cadência de Tiro: 3 tiros por minuto<br />
Peso: 5.700 Kg<br />
Peso da granada: 45 Kg</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Crônica da Segunda Guerra &#8211; O Engano</title>
		<link>http://segundaguerra.org/cronicas-de-guerra-o-engano</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 17:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas de Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>

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		<description><![CDATA[1º de Janeiro de 1945 Aconteceu que saiu uma patrulha com dois sargentos, nove soldados e um partigiani. A certa altura ela se dividiu em dois grupos. O Sargento Jose Rodrigues que comandava um deles viu umas onde supunha que tivesse alemães. Deixou três homens esperando atrás de um barranco e avançou cautelosamente com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>1º de Janeiro de 1945</strong></p>
<p>Aconteceu que saiu uma patrulha com dois sargentos, nove soldados e um partigiani. A certa altura ela se dividiu em dois grupos. O Sargento Jose Rodrigues que comandava um deles viu umas onde supunha que tivesse alemães. Deixou três homens esperando atrás de um barranco e avançou cautelosamente com um soldado Erico. Os dois homens andavam certa distância um do outro &#8211; Os dois metidos em seus capotes brancos, com capuzes brancos.</p>
<p>O sargento ia andando com todo cuidado quando viu um soldado a alguns metros de distancia. Teve a impressão de que o soldado ia lhe dizer alguma coisa, e, levando um dedo à boca, e franzindo a sobrancelha, fez um gesto para que ele não dissesse nada, ficasse em silêncio, para não despertar a atenção do inimigo que devia estar dentro da casa e acrescentou baixinho:<span id="more-3846"></span></p>
<p>- Ya, ya.</p>
<p>No mesmo instante quase, voltando-se, esse soldado viu Erico, e apontou para ele o fuzil. Não teve tempo, porém de puxar o gatilho: o sargento derrubou-o com uma rajada de metralhadora de mão.</p>
<p>O caso não foi difícil de explicar. Como os alemães também andam encapotados e encapuzados de branco, o engano foi mútuo. Assim como o sargento pensou que fosse brasileiro, o soldado alemão pensou que o sargento Ribeiro fosse alemão &#8211; mesmo porque ele é um homem de tipo sanguíneo, e claro. No instante, porém, em que viu o praça Erico &#8211; moreno e franzino -, o alemão viu que era inimigo e apontou o fuzil. Mas, nesse segundo, o seu &#8220;ya, ya&#8221; já havia revelado sua nacionalidade ao sargento.</p>
<p>Foi, de resto uma patrulha feliz: o sargento matou mais um alemão que ia lhe lançando uma granada e o soldado Erico acertou uma granada no peito de outro alemão que ia saindo da casa com u fuzil na mão. A casa foi atacada com rajadas de metralhadora e três granadas lança-rojão &#8211; duas das quais bateram na parede sem produzir efeito, e a outra arrebentou a porta. O sargento Pedro Rubin e o soldado Jose Xavier, do outro grupo em que se dividira a patrulha, derrubaram um alemão com rajadas de metralhadora. O homem caiu não se sabe morto ou ferido &#8211; e depois disso nossa patrulha se retirou.</p>
<p>O soldado Erico, depois de sair na patrulha notou que sua metralhadora estava engasgada &#8211; de fato falhou &#8211; mas assim mesmo quis continuar, levando apenas granadas de mão, e assim matou um tedesco, Erico foi ferido na perna, mas recusou-se a ser carregado pelos companheiros, voltando a posição andando, seu ferimento não teve gravidade.</p>
<p>Participaram dessa patrulha:</p>
<ul>
<li>Jose Rodrigues de Oliveira Ribeiro – Sargento</li>
<li>Erico Domingos Porto – Soldado</li>
<li>Jose Marcelino Vieira Pedro</li>
<li>Jose Mendes Benedito Canuto dos Reis</li>
<li>João Alves de Lima</li>
<li>Sebastião Cassiandro</li>
<li>Cecilio Souza Ferraz Filho</li>
<li>Jose pinto de Freitas</li>
</ul>
<p><em>Historia tirada do livro &#8220;Crônicas da Guerra na Itália de Rubem Braga&#8221;</em></p>
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		<title>Crônica da Segunda Guerra &#8211; O Chão</title>
		<link>http://segundaguerra.org/cronicas-de-guerra-o-chao</link>
		<comments>http://segundaguerra.org/cronicas-de-guerra-o-chao#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 17:29:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas de Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>

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		<description><![CDATA[8 de março de 1945. Na encosta do morro, naquela posição que os brasileiros haviam conquistado na véspera, encontrei um soldado que disse ter visto três cadáveres de alemães. Como eu trazia a péssima Karat que comprei em Pistóia, ele pensou que eu fosse fotógrafo, e perguntou se não queria ir até lá. -É longe? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>8 de março de 1945.</p>
<p>Na encosta do morro, naquela posição que os brasileiros haviam conquistado na véspera, encontrei um soldado que disse ter visto três cadáveres de alemães. Como eu trazia a péssima Karat que comprei em Pistóia, ele pensou que eu fosse fotógrafo, e perguntou se não queria ir até lá.</p>
<p>-É longe?<span id="more-3842"></span></p>
<p>-Não Senhor. É pertinho. Só o que tem é que é meio perigoso&#8230;</p>
<p>Pouco antes caíra uma grande granada de morteiro ali por perto, e pensei que era a esse perigo que se referia o homem. Como estávamos em um lugar sob as vistas do alemão, o perigo era mais ou menos igual em qualquer parte, e resolvi ir. Andamos, eu atrás dele, uns 15 minutos. A certa altura, ele fez menção de atravessar uma cerca, mas se deteve.</p>
<p>-Esqueceu o caminho?</p>
<p>-Não senhor, mas eu acho que por aqui não se pode ir. Eu da outra vez vim de lá do alto do morro&#8230;</p>
<p>O homem olhava muito para o chão, e perguntei:</p>
<p>-Já tiraram minas aqui?</p>
<p>Ele achava que não. Os mineiros haviam apenas retirado minas em um trilho para que nossos infantes passassem. Além disso, haviam assinalado alguns trechos minados, à margem do caminho. Mas o caminho passava lá por cima e descia por outra encosta.</p>
<p>Havia, cortando a grama, duas ou três trilhas mal marcada, e podíamos ver, à esquerda, uma fita branca que talvez indicasse um campo minado, mas não delimitava nenhum terreno precisamente. Além disso, fitas brancas não usadas em algumas estradas ruins para que os carros não se precipitem em buracos no escuro, quando não podem acender os faróis.</p>
<p>Vários raciocínios desse tipo me acudiram à cabeça, mas nenhum deles levava a outra conclusão além desta: nós podíamos estar andando em um campo minado, ou estar na iminência de fazê-lo.</p>
<p>Voltar era quase igualmente tão perigoso quanto tocar para frente; o remédio era andar olhando para o chão.</p>
<p>Não sei o que se passou na alma do pracinha quando ele confessou que não sabia mesmo o caminho seguro, só sabia mesmo que os alemães mortos estavam entre um pequeno grupo de árvores e uma casinha mais no alto. Mas eu senti medo. É um tipo de medo assim: você ter de andar descalço num capinzal cheio de cobras venenosas. E sem esperança de contraveneno: e com a idéia de que se, no lugar de passar correndo, você passar bem devagarzinho, olhando bem, pisando com todo cuidado, tem uma vaga probabilidade, muito vaga, de não ser arrebentado por uma das minas maiores, ou ter o pé arrancado por uma das menores.</p>
<p>O soldado &#8211; caboclinho baixo &#8211; começou a caminhar assim, lentamente e eu ia pisando aproximadamente onde ele pisava. De repente voltou-se:</p>
<p>- Vamos voltar? A gente pega outro caminho&#8230;</p>
<p>Antes que eu respondesse, li nos seus olhos que ele próprio reagia contra o que acabara de dizer. Subitamente começou a andar mais depressa e eu o segui, também disposto a ir para o inferno, mas sair de qualquer modo daquela agonia.</p>
<p>Apesar dessa disposição, eu não pude de deixar de refletir que se ele pisasse em qualquer mina, eu também seria atingido pela explosão, tão perto estávamos.</p>
<p>Atravessamos um trecho de pasto onde havia espalhados, pedaços de cartucheiras, papéis, restos de equipamento, pisando no chão com força. Mas quando chegamos junto a uma valeta, o medo voltou de súbito, nele e em mim. Resolvemos, por vagos indícios, que o trecho em nossa frente era suspeito do outro lado da valeta havia um campo arado há muito tempo, e sob a camada superficial de terra julgávamos distinguir coisas que podiam ser minas.</p>
<p>Não chegamos a trocar idéias a respeito, dobramos à direita, outra vez lentamente, pisando com mil cuidados, procurando aqui e ali pequeno pedaço de terra que inspirasse confiança. Lembrei-me, então, de uma fotografia de Santos Dummont, publicada por ocasião de sua morte, em que ele aparecia com um par de asas mecânicas &#8211; um invento em que estava trabalhando. Vi nitidamente a fotografia, e me ocorreu que afinal de contas, com tanta coisa que inventam, não seria surpresa se inventassem um aparelho assim, leve, com o qual se pudesse voar ao menos baixinho, nem que fosse um centímetro acima do chão, já seria suficiente. Lembrei-me então de um sujeito que encontrei no dia em que houve aquele horrível desastre, quando Santos Dummont chegou ao Brasil, um sujeito chato, eu estava em Niterói. De súbito me desagradou essa classe de pensamentos, e meus olhos caíram num terreno próximo, onde vi alguma coisa que me interessou.</p>
<p>Chamei a atenção do soldado, e ele também me olhou. O terreno. Não sei se algum autor já descreveu o prazer verdadeiramente grande e solene que um homem sente em andar sobre a terra, pisando a terra com suas botas, a boa terra feita para o homem andar para um lado e outro, andar para procurar comida para comer, água para beber, mulher, casa, árvore, sol e até cadáveres alemães.</p>
<p>Chegamos logo a um caminho, e um pouco à direita estava o primeiro corpo.</p>
<p>O homem tombara provavelmente vítima de uma granada, dentro de sua posição, um foxhole raso. O corpo não apodrecera, certamente graças ao frio, e é provável que tenha estado muito tempo coberto pela neve.</p>
<p>O capacete de aço cobria uma parte de sua cabeça, e a cara estava voltada para um lado, já meio descarnada. Pelo seu culote, parecia ser um oficial ou um sargento. E ali, sozinho, jogado na terra, dava a impressão estranha de que tinha encolhido depois de morto.</p>
<p>Mais adiante, num buraco que parecia uma posição de morteiro, estavam dois cadáveres de soldados. Um deles tinha a mão descarnada, e a brancura dos ossos ressaltava sobre o seu uniforme, cuja cor se confundia com a terra. O outro, cuja caveira começava a ser visível, tinha o dólmã rasgado, e havia sinais de alguém começara a lhe aplicar uma atadura no braço. Bati umas fotografias – e voltamos pelo caminho que o soldado conhecia.</p>
<p>A esta hora os homens já devem estar enterrados no Cemitério Militar Brasileiro. Deve estar lá, cada um dentro de um saco, no fundo do chão, esperando o momento em que serão removidos para a Alemanha.</p>
<p>Muitos corpos enterrados em muitos campos da Europa e do Oriente.</p>
<p>Milhões de corpos enterrados em monótonos cemitérios russos, alemães, franceses, chineses, americanos, húngaros, ingleses, brasileiros, búlgaros, italianos, japoneses etc., etc., etc. Milhões de corpos de todas as raças humanas enfileirados nos cemitérios do mundo.</p>
<p>E cadáveres de mulheres e crianças, juízes e lavadeiras, gente de toda espécie, que a guerra foi matar dentro de seus lares, no lugar onde trabalhavam, ou na rua quando estavam cantarolando, ou chorando, ou rezando, ou comendo&#8230;</p>
<p>São milhões de criaturas humanas e todas estão debaixo da terra. Cuidado, caminhantes do futuro. Pisai com muito cuidado, esses corpos são minas, são terríveis minas de tempo. Pisai devagar, olhai o chão, olhai com toda humildade o chão.</p>
<p>É preciso olhar o chão, o chão da terra, o chão dos homens. Traçam demasiadas fronteiras no chão, dividem o chão entre poucos homens, torturam o chão, conspurcam o chão. Libertem o chão!</p>
<p>Os homens precisam de chão livre, para andar. E é uma grande e solene coisa: andar.</p>
<p>F<em>onte: Crônicas de Guerra &#8211; Rubem Braga</em></p>
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		<title>Relato da Segunda Guerra &#8211; As Balas Tiveram Pena de Mim</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 17:15:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
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		<description><![CDATA[Depoimento do Soldado Véssio Maneli, da 3ª Cia. do 1° Batalhão do Regimento Sampaio. Seu comandante era o Capitão Salvador Gonçalves Mandim (ferido na cabeça nesse dia) e o batalhão comandado pelo Major Olívio Gondim de Uzeda. Sou natural de Sorocaba, estado de São Paulo, e pertencia à 3ª Cia. do 1° RI. Fui ferido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento do Soldado Véssio Maneli, da 3ª Cia. do 1° Batalhão do Regimento Sampaio. Seu comandante era o Capitão Salvador Gonçalves Mandim (ferido na cabeça nesse dia) e o batalhão comandado pelo Major Olívio Gondim de Uzeda.</p>
<p>Sou natural de Sorocaba, estado de São Paulo, e pertencia à 3ª Cia. do 1° RI. Fui ferido no ataque do dia 29 de novembro de 1944 ao Monte Castello.<span id="more-3839"></span></p>
<p>À 1 hora da madrugada entramos em posição na base do morro. Recebi ordem para cavar um &#8220;buraco&#8221;, onde passei a noite. À medida que cavava o chão, ia juntando água no buraco, de modo que dormi as poucas horas dentro d&#8217;água, enrolado na manta.</p>
<p>Ao raiar do dia, nos foi servido uma ração K e, às 7 horas da manhã, recebemos ordem para atacar avançando pelas encostas do morro, em terreno descoberto. Choviam granadas e balas de todos os lados. Os tiros da nossa Artilharia caíam próximos de nós. Nossa progressão foi pequena, pois, diante da intensidade da reação alemã, ficamos logo detidos.</p>
<p>O Capitão Mandim deu ordens para que nos abrigássemos e aguardássemos as coisas melhorarem. Fui ferido logo no começo, primeiro nas costas, quando tentava cavar um abrigo.</p>
<p>Não podendo continuar ao alcance dos tiros inimigos durante o dia, as balas parece que tiveram pena de mim ou já sabiam que eu estava bastante ferido, só pegavam no chão ao redor de meu corpo, jogando-me terra como se quisessem me enterrar ali mesmo.</p>
<p>Ao escurecer, cessou o fogo e um padioleiro veio em meu socorro e me fez curativo de emergência. Só às 23h00min é que veio uma equipe de padioleiros me transportarem para as posições da Companhia em jipe e dali para o posto de socorro do batalhão.</p>
<p>Colocaram um aparelho de ferro em minha coxa esquerda e me levaram para um hospital em Valdibur, onde segui para Pistóia e Livorno.</p>
<blockquote><p>Fonte: Paulo Vidal &#8211; Heróis Esquecidos &#8211; Edições GRD.</p>
<p>RESENHA &#8211; O BRASIL NA II GUERRA MUNDIAL &#8211; ROTEIRO CRONOLÓGICO DA FEB E AS COMUNICAÇÕES DA 1ª DIVISÃO DE INFANTARIA EXPEDICIONÁRIA &#8211; NA ITÁLIA</p>
<p>1944/45</p></blockquote>
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		<title>Crônicas da Segunda Guerra &#8211; Frente Calma</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 17:02:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas de Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[18 de Janeiro de 1945. Era uma patrulha com três grupos de combate e 10 partigiani. Iam os tenentes Rigueira e Carijó. Pela uma e pouco da noite, a patrulha começou a descer uma encosta, pelo meio de um castanhal. Lá embaixo os homens tiveram de atravessar um rio de margens escarpadas em alguns trechos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong></strong>18 de Janeiro de 1945.</p>
<p>Era uma patrulha com três grupos de combate e 10 partigiani. Iam os tenentes Rigueira e Carijó. Pela uma e pouco da noite, a patrulha começou a descer uma encosta, pelo meio de um castanhal. Lá embaixo os homens tiveram de atravessar um rio de margens escarpadas em alguns trechos, seis metros de altura e com a profundidade de meio metro. Esse córrego está gelado. Dali para frente à linha lançava-se só sob a forma de um espigão com declive acentuado. Os homens foram subindo na neve escorregadia, procurando se proteger da vista do inimigo andando atrás dos castanheiros. O terreno tinha algumas dobras que ofereciam proteção contra um fogo que viesse de cima, mas o inimigo poderia muito bem observar a progressão de nossos homens, pois as árvores eram espaçadas. Os soldados subiram ofegantes, o tenente deu ordem a dois grupos de cercarem uma s casinhas que havia no alto do morro.</p>
<p>As casas foram vasculhadas sem que aparecesse nenhum inimigo. Apareceu, porém, um civil italiano, informado que o posto avançado do alemão era ali pertinho, e ele sabia onde era. O tenente Rigueira pediu que ele indicasse o lugar, e, depois de alguma relutância, o paisano foi na frente.<span id="more-3831"></span></p>
<p>Quando chegaram perto da casa onde devia haver alemães, o tenente Rigueira dispôs seus homens. Nessa ocasião, o chefe dos partigiani negou-se a avançar, dizendo que era muito perigoso. Um partigiano do grupo se ofereceu, porém, para ir à frente rastejando e ver se havia alguma sentinela.</p>
<p>“- Nunca vi ninguém rastejar tão bem &#8211; comentou depois o tenente. &#8211; O partigiano parecia uma cobra”.</p>
<p>Atrás desse italiano foram os tenentes Rigueira e o sargento Silva, que para isso se ofereceu espontaneamente, e mais dois esclarecedores de ponta &#8211; os soldados Amorim, Carlos Quintilhana, e o soldado Temístocles Alves da Silva.</p>
<p>Os homens levaram sabre ou faca de trincheira e granadas de mão. Subiram assim a crista do espigão; o tenente fez sinal para que eles parassem. Parecia haver ali, no escuro, a poucos metros, uma sentinela alemã. O tenente mandou que o italiano continuasse rastejando e deu ordem ao soldado Amorim para que o seguisse, para reconhecer com segurança a sentinela, disse: “Sentinela tedesco.”</p>
<p>O alemão, a menos de dois metros, disse alguma coisa na língua dele. O soldado Amorim deu um salto com a faca de trincheira na mão  e o sentinela não teve mais muitos segundos de vida. Mas assim mesmo o ruído alertou outros alemães, que saíram da posição organizada.</p>
<p>O sargento Sila apontou sua metralhadora de mão, e logo outra, enquanto o soldado Amorim fazia o mesmo. As granadas caíram dentro da posição do inimigo e de lá vieram gemidos e lamentações.</p>
<p>Aquele pequeno posto alemão estava aniquilado, mas de um pouco mais atrás partiram rajadas de metralhadoras e começaram a cair perto granadas de mão.</p>
<p>Nossos homens retraíram-se um pouco, e o inimigo atirou de bazuca e submetralhadora. Vultos de alemães passavam correndo na crista do morro, para dois lados, indicando que eles ameaçavam um movimento desbordante, procurando envolver nossa patrulha.</p>
<p>O tenente Rigueira, antes de dar ordem de retraimento, tentou comunicar-se pelo rádio com o tenente Carijó para que este tentasse um movimento por um dos flancos para cercar o inimigo. Mas o rádio falhou.</p>
<p>A patrulha teve, então, ordem de recuar. Como o fogo inimigo era muito intenso, os homens desceram o morro rolando. Dois homens nossos estavam feridos (sem maior gravidade), mas foram carregados por outros dois &#8211; o cabo Alcides Zaneta e o soldado Francisco Ribeiro do Santos, que, apesar da forte barragem inimiga, trouxeram os dois camaradas até o lugar seguro.</p>
<p>O cabo Manuel Aires de Oliveira. Que ficara comandando a retaguarda assegurou a retirada da patrulha até que passasse o ultimo homem. Apesar do tiroteio firme que vinha lá de cima, esse cabo ainda teve calma para recolher as armas dos dois feridos.</p>
<p>Teve destaque também o segundo-tenente Fremídio Trota, que, como observador avançado da Artilharia, ficou até as três da madrugada na posição, atendendo a todos os pedidos de tiro do comandante do batalhão, contribuindo para o pronto desencadeamento dos tiros de nossa artilharia.</p>
<p>O comandante da companhia elogiou ainda a iniciativa e a energia do segundo-tenente Célio D’Alva Vieira Rigueira, que comandou a patrulha. Mas quem voltou à posição esta noite com uma história melhor para contar foi o soldado João Pedro Amorim, que matou o alemão a faca.</p>
<p>Histórias como esta que resumi, às vezes com mais felicidade ainda, às vezes com mortos nossos, às vezes sem resultado nenhum, acontecem toda noite na frente brasileira. E no dia seguinte o comunicado diz que “a frente esteve calma, limitando-se a atividade de patrulha”. Mas para os hímens que fazem esses passeios a 14 graus abaixo de zero, a noite não é tão calma assim.</p>
<p>Crônicas da Guerra na Itália</p>
<p>Rubem Bragra</p>
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		<title>FEB &#8211; O Sargento das SS Torcedor do Vasco</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 21:59:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>

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		<description><![CDATA[E FOI ASSIM&#8230; Que, certa feita, estava um general estadunidense com o General Zenóbio, planejando um ataque, e necessitavam de informes urgentes sobre determinada posição. Foi organizada uma patrulha. O general americano, através do Capitão Walter Vernon, procurou certificar se cada um dos membros do grupo era imbuído de sua responsabilidade. Foi perguntando de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<div id="attachment_3819" class="wp-caption alignleft" style="width: 224px"><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/mascarenhas9rq.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3818]"><img class="size-full wp-image-3819" title="mascarenhas9rq" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/mascarenhas9rq.jpg" alt="mascarenhas9rq" width="214" height="161" /></a><p class="wp-caption-text">Capitão Walter Vernon (esq.), Gal. Mascarenhas (centro) </p></div>
<p><br class="spacer_" /><span id="more-3818"></span></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>E FOI ASSIM&#8230; Que, certa feita, estava um general estadunidense com o General Zenóbio, planejando um ataque, e necessitavam de informes urgentes sobre determinada posição. Foi organizada uma patrulha. O general americano, através do Capitão Walter Vernon, procurou certificar se cada um dos membros do grupo era imbuído de sua responsabilidade. Foi perguntando de um a um a sua missão na patrulha, até que chegou a um soldado atarracado, pernas tortas, feio, e indagou-lhe: qual sua função?</p>
<p>- Eu sou o ISCA.</p>
<p>- O ISCA? Que quer dizer? O que é que você tem que fazer?</p>
<p>- É assim, meu general: quando a gente não tem certeza onde o tedesco esta, eu vou na frente, e se desconfio que esta por perto, eu pulo na frente deles, faço umas “visagens”, ai então atiram em mim; os companheiros vêem onde estão e atiram neles também.</p>
<p>O general ficou admiradíssimo com o sangue frio do nosso pracinha e principalmente com a forma quase displicente com que descrevia um ato de bravura daquele tipo; servis de isca para o inimigo.</p>
<p>Saiu a patrulha. O general estadunidense permaneceu no QG brasileiro até o retorno do grupo. Ao retornarem os patrulheiros, todos se puseram a estudar os informes trazidos, mas em determinado momento o general deu por falta do soldadinho que tanto o impressionara. Onde estava o ISCA? A resposta o deixou desolado. O ISCA não havia retornado. O general ficou muito penalizado e pediu ao Capitão Walter que anotasse no nome do rapaz para uma citação e continuaram a estudar os informes trazidos pelos patrulheiros.</p>
<p>Em dado momento, ouviu-se do lado de fora do P.C. um alarido, uma gritaria, uma discussão:</p>
<p>- Nada disso, quem vai levar este cabra da peste lá pra dentro sou eu. Eu trouxe ele inté aqui, não foi? Por que não posso levar ele inté lá? Vamo, anda, cabra da peste, pra que tu tem umas pernas tão cumpridas? Anda logo seu filho&#8230;</p>
<p>Os oficiais que se encontravam reunidos ficaram espantadíssimos ao verem entrar no recinto um enorme alemão, sargento da SS, com pavor estampado na cara, segurando frouxamente na mão esquerda, com o braço pendido um fuzil e atrás dele o atarracado ISCA com uma faca peixeira que a cada momento o cutucava nas costas. Essas “peixeiras”, caracteristicamente usadas pelos cangaceiros nordestinos, foram difundidas entre as tropas e tornou-se de grande utilidade, pois tanto o alemão como os próprios estadunidenses delas tinham verdadeiro pavor.</p>
<table border="0">
<tbody>
<tr>
<td><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Punhal-Canga&Atilde;&sect;o-3.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3818]"><img class="aligncenter size-full wp-image-6056" title="Punhal-Cangaço-3" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Punhal-Cangaço-3.jpg" alt="" width="200" height="450" /></a></td>
<td><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Punhal-Canga&Atilde;&sect;o2.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3818]"><img class="aligncenter size-full wp-image-6057" title="Punhal-Cangaço2" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Punhal-Cangaço2.jpg" alt="" width="200" height="450" /></a></td>
<td><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Punhal-Canga&Atilde;&sect;o.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3818]"><img class="aligncenter size-full wp-image-6058" title="Punhal-Cangaço" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/Punhal-Cangaço.jpg" alt="" width="200" height="450" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;" colspan="3"><strong><span style="font-size: x-small;">Típica Peixeira de cangaço utilizado pela FEB &#8211; Um punhal longo com media de 60 cm de comprimento &#8211; (fotos enviadas gentilmente pelo leitor Osvaldo Aguiar) <br />
Clique sobre as imagens para vê-las maiores </span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong><br class="spacer_" /></strong></p>
<p><strong><br class="spacer_" /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>E</strong>sse soldado era da tropa de escol, a famosa SS, e portava orgulhoso a sua Cruz de Ferro, e foi ela que na realidade salvou a sua vida.</p>
<p>- Que negocio é este, soldado, como se atreve a entrar assim. Interrompendo nossa reunião e ainda por cima trazendo para o recinto um alemão armado! – esbravejou um coronel.</p>
<p>- Não, Coronel, o gringo não esta armado não! – Como não esta armado? E este fuzil que ele esta carregando?</p>
<p>- Ah! Bom, Coronel, este é meu fuzil que eu mandei ele carregar pois eu já estava cansado!</p>
<p>- Então você insiste em dizer que ele não esta armado?</p>
<p>- Ta não sinhô, o fuzil eu joguei fora. Mas num se assuste não, Coronel, ele não faz nada não, ele tem medo aqui da minha ‘lambedeira”</p>
<p>- Mas que negocio de trazer o prisioneiro até aqui, você não sabe que entregá-lo para a PM?</p>
<p>- Sei sim, meu Coronel, mas este aqui era muito “ispeciá”</p>
<p>- Especial por que? Como foi que você o pegou?</p>
<p>- O negocio foi assim: quando eu passei por um ataio, vi que este cabra estava bem escondidinho por trás de um moita pra da o bote em riba dos companheiros. Então eu vi logo que tinha mais tedesco pru perto. Sartei na frente deles, fiz as minhas visage pra chamar a atenção do gringo, me joguei no chão quando eles começaram a atirar, e fui chegando de mansinho por trás. A nossa turma passo pra vê mio os bijetivos. Eu fui devagarinho me arrastando e dando a vorta pra pegar ele pur trás pra não estragar a festa dus cumpanheiros. Quando alevantei a lambedeira pra fincar nele, foi que vi que num tava direito, que não podia.</p>
<p>- Não estava direito e podia por que? O que foi que você viu que salvou a vida deste alemão? – perguntaram quase em coro vários oficiais.</p>
<p>- Olha ali no peito dele, Coronel, ele é do nosso time! Apontava com um sorriso a Cruz de Ferro no peito do alemão. Olha Coronel, ele também é torcida do <a href="http://www.crvascodagama.com" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.crvascodagama.com?referer=');">VASCO</a> como o senhor e eu!</p>
<table border="0">
<tbody>
<tr>
<td><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/vasco.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3818]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3821" title="vasco" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/vasco.jpg" alt="vasco" width="211" height="245" /></a></td>
<td><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/cruzpatea.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3818]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3822" title="cruzpatea" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/cruzpatea.jpg" alt="cruzpatea" width="208" height="208" /></a></td>
<td><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/cruz.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[3818]"><img class="aligncenter size-full wp-image-3823" title="cruz" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/07/cruz.jpg" alt="cruz" width="209" height="243" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;">Escudo do time de Futebol Vasco da Gama</td>
<td style="text-align: center;">Cruz Pátea &#8211; Simbolo do time, erroneamente chamada de Cruz de Malta</td>
<td style="text-align: center;">Condecoração Alemã &#8211; A cobiçada Cruz de Ferro. Concedida a militares alemães que realizassem atos de bravura em combate.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Fonte: E Foi Assim Que A Cobra Fumou – Elza Cansanção<br />
 Pag: 168-169</strong></p>
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		<title>Relato da Segunda Guerra &#8211; Reconhecer a Casa Amarela</title>
		<link>http://segundaguerra.org/cronicas-de-guerra-reconhecer-a-casa-amarela</link>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 19:36:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas de Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>
		<category><![CDATA[Força Expedicionária Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Era de tardezinha e o Major de operações do regimento, chamou: - Eu quero um sargento voluntário para uma operação perigosa. Eu levantei a mão e me apresentei, entrei na barraca dele e a missão era reconhecer uma casa amarela no ponto cotado 927. Reconhecer a casa, chamar uma companhia que está a uns 800 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2836" class="wp-caption alignleft" style="width: 199px"><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/05/vet-feb-ca.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[2807]"><img class="size-full wp-image-2836" title="vet-feb-ca" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/05/vet-feb-ca.jpg" alt="vet-feb-ca" width="189" height="173" /></a><p class="wp-caption-text">Benno Armindo Schirmer</p></div>
<p>Era de tardezinha e o Major de operações do regimento, chamou:<span id="more-2807"></span></p>
<p>- Eu quero um sargento voluntário para uma operação perigosa.</p>
<p>Eu levantei a mão e me apresentei, entrei na barraca dele e a missão era reconhecer uma casa amarela no ponto cotado 927. Reconhecer a casa, chamar uma companhia que está a uns 800 metros atrás para ocupar a posição de ataque, que ocorrerá no dia seguinte.</p>
<p>Isso ocorreu na entrada de Montese.</p>
<p>Essa missão já havia sido entregue a outro sargento, mas ele tinha saído num jipe e na hora da partida da patrulha, ele não tinha retornado. Quando eu ia saindo com a patrulha, o Major de operações disse:</p>
<p>- Sargento Beno, não precisa mais, o Sargento Edson Sales chegou e já tem a missão.</p>
<p>Mas, quando a patrulha se afastava, o major acrescentou:</p>
<p>- O Sargento Beno tem que ir junto à patrulha como interprete, se fizer algum prisioneiro.</p>
<p>Nós não havíamos chegado a 60 metros da casa, e saiu granada, tiro de morteiro, rajada de metralhadora de lá.  A primeira rajada que saiu matou o comandante da patrulha. Neste momento a patrulha quis se dispersar &#8211; eram 16 homens -, eu não permiti, pois conhecia a missão, (caso não a conhecesse, teria que dispersar junto com os demais), então eu disse:</p>
<p>- Nós vamos cumprir a missão. Vamos ocupar a casa e chamar a companhia que esta atrás.</p>
<p>Avançamos. Eu liguei para o comandante da companhia pedi para soltar um very-light sobre a casa, e ordenei à patrulha:</p>
<p>- No primeiro very-light só apontar, no segundo: fogo!</p>
<p>Informei ao comandante da companhia, &#8220;terminando um very-light, solte outro&#8221;. Abriu o primeiro very-light, vimos dois alemães no canto da casa amarela. Abriu o segundo, e uma rajada nossa aniquilou os alemães &#8211; eles não esperavam o segundo very-light.</p>
<p>Nós ocupamos a casa, reconhecemos todo o terreno em volta, em seguida chamei o comandante da companhia que avançou e finalmente ocupou posição para o ataque do dia seguinte.</p>
<p><strong>Benno Armindo Schirmer</strong><br />
Ex-combatente da FEB</p>
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		<item>
		<title>Relato da Segunda Guerra &#8211; Ninho de Morteiro</title>
		<link>http://segundaguerra.org/relato-da-segunda-guerra-ninho-de-morteiro</link>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 15:53:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Lavecchia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Combate]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil na Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas de Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[FEB]]></category>
		<category><![CDATA[Força Expedicionária Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu Capitão Comandante de Companhia era uma figura, vamos dizer, inusitada. Chamava-se João Manoel de Faria Filho. De baixa estatura &#8211; Apelidamos ele de &#8220;Giovanni Piccolo&#8221; (Giovanni, o pequenino) . Porém era um homem de bravura pessoal a toda prova. Em várias ocasiões, quando a presença do Comandante de Companhia não era aguardada, ele aparecia. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2805" class="wp-caption alignleft" style="width: 122px"><a href="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/05/cel_sergiow.jpg" class="broken_link" rel="lightbox[2803]"><img class="size-full wp-image-2805" title="cel_sergiow" src="http://segundaguerra.org/wp-content/uploads/2009/05/cel_sergiow.jpg" alt="cel_sergiow" width="112" height="155" /></a><p class="wp-caption-text">Coronel Sérgio Gomes Pereira</p></div>
<p>Meu Capitão Comandante de Companhia era uma figura, vamos dizer, inusitada. Chamava-se João Manoel de Faria Filho. De baixa estatura &#8211; Apelidamos ele de &#8220;Giovanni Piccolo&#8221; (Giovanni, o pequenino) . Porém era um homem de bravura pessoal a toda prova. Em várias ocasiões, quando a presença do Comandante de Companhia não era aguardada, ele aparecia.<span id="more-2803"></span></p>
<p>O Subcomandante era o Primeiro-Tenente Nicolau José Seixas, já falecido. Em campanha, como é de regra, é o resposável pelo apoio logístico. Eu vou me permitir contar esse episodio, que é folclórico e absolutamente verdadeiro.<br />
Relatórios de patrulha, inclusive de algumas feitas por mim, e por companheiros meus, não conseguiam informar a localização exata de determinadas posições de metralhadoras e morteiros. Numa dada ocasião, o Seixas disse: &#8220;Eu vou lá, levantar onde estão essas posições&#8221;, e repetiu num tom decidido: &#8220;Eu vou lá.&#8221;então, ele fez uma coisa contra as leis da guerra. Nós usávamos um uniforme completamente heterodoxo: parte seguia nosso regulamento; parte o estadunidense.</p>
<p>Debaixo do capacete usávamos um &#8220;gorrinho&#8221; de lã, para proteção contra o frio. Ele tirou o capacete, vestiu paletó civil, colocou um chapéu na cabeça, apanhou um peru vivo, isso mesmo, um peru vivo, e, sob a ave, uma metralhadora.</p>
<p>Transmudou-se num sfolatti, italiano desalojado pela guerra, que migrava de um lado para outro &#8211; uma espécie de refugiado. Nessas condições, atravessou a linha de frente e foi conversar com os alemães.<br />
Acontece que o italiano dele era &#8220;macarrônico&#8221;, assim como o dos alemães, não dando a perceber que se tratava de um brasileiro. A verdade é que ele conseguiu descobrir o motivo dos erros de localizações das armas alemãs, que era o seguinte: havia aqueles cones de feno &#8211; chamados &#8220;medas&#8221; &#8211; preparados para a alimentação dos animais na época do inverno. Os alemães cortavam a vértice do cone, de maneira que ficava um abertura e, no interior, instalavam uma posição de morteiros. Atiravam e não se conseguia identificar as peças que realizavam o disparo.<br />
Mais tarde, esse detalhe passou a nos chamar a atenção. Quem já viajou pela Europa, pode reparar que essas &#8220;medas&#8221;, hoje, são enroladas. Não precisa dizer que o Seixas teve que botar o &#8220;pé no mundo&#8221; e voltou para as nossas linhas, dando todas as informações. Recebeu, por essa ação, a silver star(estrela de prata), condecoração de guerra do Exército Americano.</p>
<p>Coronel Sérgio Gomes Pereira<br />
Comandante do 2º Pelotão de Fuzileiros da 8º Companhia do III / 11º RI</p>
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