FEB – Detalhes Engraçados – A Passagem do Equador

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O ritual do batismo, na passagem do Equador.

Foi um acontecimento tradicionalmente comemorado a passagem do Equador. Embora viajassem num transporte de guerra; nem por isso se deixou de render homenagem a Netuno, que veio batizar seus novos súditos.



FEB – O Objeto Mais Estimado a Bordo

Havia a bordo um objeto de que não os integrantes da FEB não se despregavam um minuto. Cada homem, desde o General até o mais modesto soldado recebeu um. Usavam o dia inteiro e à noite dormiam com ele. Era tratado com o máximo carinho e respeito. O homem que fosse apanhado sem ele seria severamente punido. Quem não estivesse com ele bem amarrado ao corpo durante a visita do General Alarm, ia direto para o xadrez.

Tratava-se do colete salva-vida. Apesar da segurança quase absoluta em que viajam, todas as precauções eram tomadas para qualquer emergência. Exercícios diários punham a tripulação e a tropa em condições de enfrentar qualquer situação, na maior ordem e disciplina. Para evitar correrias atrás de salva-vidas, estes foram distribuídos no início da viagem e eram de uso obrigatório e permanente.



FEB – Detalhes Engraçados

“Lá vem peixe – Lá vem tu-tu-tu”

O que chama a atenção no início, a bordo, são as freqüentes ordens transmitidas a todo o navio pelos inúmeros alto-falantes, em inglês para os estadunidenses e em português para os brasileiros.

As ordens são precedidas por um agudo silvo. Os soldados logo aprenderam que depois do apito viria uma novidade e gritavam: “Lá vem peixe, lá vem peixe!”



FEB – A Partida rumo a Batalha

No dia 22 de setembro, às doze horas e quinze minutos, o comboio se pôs em marcha lenta, rumo à saída da barra. Ao passar pela frente da Escola Naval, era possível avistar, mesmo sem binóculo, o relógio da Central do Brasil, marcando 12h25min., apesar de o tempo estar um pouco enfumaçado e a visibilidade não ser das melhores. As 12:h45min., o navio transpôs a barra. Foi um momento de emoção. Era deixado para trás a Pátria.

Contemplavam com longos olhares os morros e as praias do Rio de Janeiro e cada um de nós evocava gratas passagens que eles recordavam. As lembranças dos entes queridos que ficavam por trás daqueles montes nos vinham nítidas à memória. Quando voltariam a rever essas praias saudosas? Quando voltariam a transpor essa barra, de regresso à Pátria? Admiram o “Gigante Deitado”, que o Comandante Raul Reis descreveu pelo microfone de bordo, desde o morro da Gávea, passando pelo Corcovado, até o Pão de Açúcar.



FEB – Palavras de um Correspondente de Guerra

Palavras do Correspondente de Guerra Joel Silveira

Netuno no Transporte de Guerra

Qualquer correspondente de guerra, além da monotonia rotineira, encontrará aqui a bordo um problema de difícil solução: lugar para escrever. Impossível ficar no camarote onde 17 pessoas se acumulam e se permutam em jogos, discussões e recordações da vida profissional. O calor lá embaixo e a proibição de ficar no convés depois das nove horas, transforma as cadeiras acolchoadas do salão dos oficiais em lugares disputadíssimos. Ando com minha máquina de um lado para outro, vou até o convés de cima, onde é possível, enquanto existe sombra, escrever com a Underwood sobre as pernas, mas de repente a ventania torna impossível qualquer movimento.

Aproveito uma trégua no 107 para bater ,estas linhas. Mas o calor me encharca, e pela primeira vez em minha vida sinto que o jornalismo pode se transformar num trabalho físico dos mais cansativos.



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