O Dia D – Um Problema Chamado França
Um elemento de grande importância, mas cuja avaliação objetiva era extraordinariamente difícil, pesava nas considerações anglo-americanas: a situação da França. A seu respeito, tudo podia ser afirmado. Era uma aliada, porque entrara em guerra ao mesmo tempo em que o Império Britânico e combatera ao lado deste até que o aniquilassem. Era uma inimiga, pois tinha convênios com Hitler e o chefe de seu governo, Pierre Laval, declarava que desejava a vitória da Alemanha.
Existia, sem dúvida, na França, um movimento popular, uma resistência ativa contra o ocupante, mas existiam também formas manifestas de colaboração. A própria resistência estava sujeita às mais contraditórias apreciações. As informações que chegavam sobre ela eram tendenciosas, tanto num sentido quanto noutro. A impressão de conjunto era uma confusão total.
O Dia D – Um Segredo de Polichinelo…
Primeiro de junho de 1944. No QG do 15o Exército, situado nas proximidades da fronteira belga, o sargento alemão Walter Reichling permanece imóvel. Está sentado diante de um poderoso aparelho receptor de rádio e escuta atentamente. Através dos fones que tem no ouvido chegam frases ininteligíveis, repetidas em inglês e também em francês. As frases carecem, aparentemente, de sentido:
- “A chuva cai sem descanso”,
- “Pedro canta uma canção”,
- “As crianças dançam e a noite se aproxima”…
O Dia D – Últimas horas: 20h – 24h
A batalha termina cedo. As tropas de assalto estão fatigadas e os alemães não têm meios de lançar um contra-ataque noturno. De Ranville até Sainte-Mère-Église, o fogo cessa ao por do sol.
Em compensação, a aviação noturna volta ao trabalho. Sua missão é de interditar o campo de batalha, impossibilitando a penetração das reservas inimigas. Bombas fulgurantes que os soldados alemães chamam “árvores de Natal”, Weihnachtsbäume desmascaram as colunas em marcha, e o bombardeio sistemático dos postos de passagem obrigatória multiplicam as perdas e os atrasos.
Bayerlein contou a Paul Carell o que foi a noite da Panzer Lehr deslocando-se rumo a Caen. Sées atravessada de bombas, depois, Argentan, às 2 horas da manhã: toda a cidade em chamas, iluminada como em pleno dia, imensa fogueira debaixo de um bombardeio ininterrupto, as ruas obstruídas por escombros, a ponte do Orne estraçalhada. Os pioneiros restabelecem uma passagem, mas Bayerlein deve caminhar através de desvios para alcançar Flers e Condésur-Noireau, igualmente arruinadas. Aponta o dia, nenhuma das cinco colunas, nas quais a divisão foi fracionada, conseguiu ultrapassar Falaise, a 25 km do campo de batalha – e os [:ttip="Aviões Bombardeiros" id="unique_id"]Jabos[:/ttip] recomeçam a imobilizar contra o solo tudo que tem movimento. A Panzer Lehr deveria contra-atacar ao romper da aurora, mas não se move até a noite.
O Dia D – 13ª a 18ª hora: 12h – 18h
Ao meio-dia, Churchill assoma à tribuna na Câmara dos Comuns. Exaspera a curiosidade de todos falando durante 20 minutos da tomada de Roma, que já não interessa a ninguém, depois descreve em termos grandiosos o desembarque que se está efetuando. “Até agora – diz – tudo se vem passando de acordo com os planos”.
Em Obersalzberg, Hitler acorda. Não foi registrada sua primeira reação à notícia do desembarque. O grande comunicado será feito no Castelo Klessheim, distante uma hora de carro, na reunião em honra do novo chefe do governo húngaro, o General Astojai, convidado oficial. O programa não foi alterado. Diante do mapa da Normandia, Hitler graceja em dialeto austríaco: “Miam Miam! Eles vêm cair na boca do Grande Lobo! Bem bom!”. Todo mundo cai na gargalhada. Em seguida Hitler louva Jodl pelo seu “veto” matinal: tal como ele, não acredita que se trate da verdadeira invasão.
O Dia D – O Dia em que os Planos Aliados Quase foram Descobertos
Em razão de a maior parte dos comandos principais estarem em Londres, essa cidade se transformou no centro de planejamento aliado. Em dezembro os ingleses sugeriram que “embalassem” o 1º Exército e o mudassem junto com os outros. Porém, a fim de não arrancar pelas raízes essa unidade, foi levada a Londres apenas as células internas de um estado-maior de planejamento. Os 30 oficiais que compunham esse grupo eram dirigidos por Bill Kean e se instalaram em escritórios que o grupo de exércitos forneceu em Bryanston Square.
O Primeiro Exército instalou o seu Centro de Operações no segundo andar, na mesma fila de edifícios do gabinete do grupo de exércitos. A casa fizera parte de uma fileira de elegantes construções de West End, com chaminés de mármores italianos, em telhados rococós, e uma alegre vista para a praça arborizada que ocupava toda uma quadra. Agora as janelas estavam cobertas, dia e noite, por cortinas de espesso tecido negro para blackout. Uma variedade de mesas de escritório de campanha preenchia o salão, cujas paredes estavam recobertas com mapas taxados com a marca “Altamente Secreto”. Sobre eles, folhas de papel transparente estavam cruzadas por linhas que assinalavam limites de faixas de controle, objetivos, linhas de fases sucessivas; segredos que, para conhecê-los, o inimigo pagaria prazerosamente com uma divisão.











