- 30 junho 2009 às 17:43
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No dia 14 de outubro de 1943, a aviação estadunidense realizou um bombardeio contra as grandes fábricas de rolamentos de Schweinfurt, no sul da Alemanha. Essa incursão deu margem a um dos encontros mais ferozes da guerra aérea. Transcrevemos o relato dessa ação, publicado na história oficial da aviação dos EUA.
Logo que a escolta de aparelhos P-47 empreendeu o regresso, nas proximidades de Aquisgran (a cerca de 380 km da costa inglesa), aviões da Luftwaffe surgiram em massa e começou a acossar as formações de bombardeiros numa ação que continuaria até chegar ao alvo e se prolongaria até a costa do Canal, no vôo de retorno.
A maior parte das táticas empregadas nesse dia pelos caças alemães já tinham sido utilizadas anteriormente – ataques em formação, uso de foguetes e canhões, bombardeio contra aviões, concentração simultânea num grupo ou em aviões desgarrados – porém, jamais o inimigo fizera um emprego tão completo e coordenado dessas táticas.
O contra-ataque foi tão bem planejado que houve a suspeita de que o controle de caças alemão sabia antecipadamente a hora e os objetivos da ação… Seja como for, o fato é que a Luftwaffe cumpriu uma tarefa sem precedentes pela sua magnitude, inteligência com que foi planejada e severidade com que foi executada.
Os caças atacaram onda após onda. Como de costume, os caças monomotores atacaram pela frente, disparando os seus canhões de 20 mm e metralhadoras até chegar muito perto da formação. Em seguida apareceram nutridas formações de caças bimotores, que disparavam grandes quantidades de foguetes de equipamentos especiais instalados debaixo das asas. Procuravam alvejar as formações de bombardeiros, geralmente, de uma distância de 900 metros, e pela retaguarda – aproveitando a vantagem natural que favorecia a pontaria nos ataques traseiros.
Atuando como caçadores de patos, disparavam contra o avião-guia, sabendo que a dispersão normal causada pelas explosões aumentaria a possibilidade de conseguir atingir. Enquanto isso, os caças monomotores se reabasteciam e convergiam de todas as direções. Logo eram seguidos por grupos de bimotores, já reabastecidos de foguetes. Depois de gastar os seus projéteis, estes últimos recorriam com freqüência aos seus canhões e metralhadoras.

Detalhe próximo da asa de um B-17, no momento em que um caça da Luftwaffe partia após fazer ataque ao bombardeiro
Os aviões inimigos se concentravam numa formação por vez, provocavam a desorganização mediante ataques com foguetes (que, como os projéteis antiaéreos eram mais eficazes para esse propósito que para a destruição imediata), e depois assestavam o golpe de graça nos aparelhos avariados com o emprego do fogo de artilharia.
Uma ala de combate da 1a Divisão de Bombardeio, que suportou o maior peso do contra-ataque, foi varrida quase por completo, mediante essas táticas…
“A missão de 14 de outubro demonstrara que o preço de tão profundas penetrações durante períodos de luz solar, sem dispor de escoltas de caças, era muito elevado para serem levadas a cabo com freqüência. Em termos concretos, custara a 8a Força Aérea, 60 aparelhos B-17 com suas tripulações, sem mencionar os importantes danos sofridos por 17 aviões e as avarias reparáveis em 121″.
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2 Comentários para “Relato da Segunda Guerra – A Batalha Aérea mais Feroz”
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Prezado Ricardo:
Parabens pela iniciativa de seu artigo. Entretanto, gostaria de corrigir alguns dados que estão historicamente incorretos começando pela própria data do primeiro ataque a Schweinfurt que foi no dia 17 de agosto de 1943, ficando conhecido como Black Thursday (Quinta feira negra). As referências sobre as ações de defesa aérea da Luftwaffe me parecem no mínimo desprovidas de conteúdo correto, e mais, supervalorizando de forma ingênua os alemães. Na verdade, o grande responsável pelas enormes perdas da USAAF naquela missão foi o próprio plano dos americanos, que não levou em conta as bases da Luftwaffe práticamente em todo o trajeto. Segundo o excelente livro Luftwaffe War Diaries de Cajus Bekker, escrito na década de 60 e com depoimentos de muitos envolvidos em combates importantes inclusive o de Scheinfurt, a Luftwaffe ficou surpresa com o ataque americano. Entretanto, reagiu de forma precisa com o deslocamento de unidades de caça para rechaçar os atacantes. Naquela ocasião o sistema de defesa aérea diurna alemã ainda não estava tão desenvolvido e Schweinfurt provocou sua otimização. Com relação as aeronaves utilizadas pelos alemães foram praticamente todas as do inventário da Luftwaffe.
Algumas das fotos que ilustram seu artigo estão deslocadas do contexto, os Thunderbolts são do modelo N usados no final da guerra no pacífico, na verdade os caças de escolta utilizados inicialmente pela VIII Força Aérea eram Spitfires e logo depois P-38 D/E Lightnings seguidos pelos P-47 Razorback.
A foto de um caça alemão Me 210, armado com canhão de 20mm em gondola externa, foi tirada em outra missão embora tenham sido usados nos combates de Schweinfurt. A de uma B-17F é de uma missão anterior na França.
Abraços
Obrigado João!
Com grande satisfação recebemos seu comentário e colaboração!