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Onde andará o Honorato? Que alma boa e simples. Era um desses tipos curiosos que conseguem fazer milagres com o pouco ou quase nada que ganham. Andava sempre bem vestido e com os sapatos lustrosos; sempre de boa aparência. Educado e caprichoso; lia e escrevia com desembaraço. Mas não tinha emprego certo, vivia de bicos ou de favores dos amigos.

Honorato foi semelhante a esses que um dia posaram para a foto, aguardando em Monte Catello o momento de entrar em combate...
Honorato apresentava todos os requisitos, parecia mesmo moldado para exercer um cargo de portaria: receber, orientar e encaminhar as partes, em qualquer repartição ou escritório. Desde que chegara a Manaus passou a morar na Sede da Associação dos Ex-Combatentes, fazendo às vezes de zelador. E de bom zelador. A sede conservava-se limpa e bem arrumada. Vez por outra, Honorato ganhava algum dinheirinho, em serviços avulsos, ou filava a refeição na casa dos companheiros, com maior frequência na casa do Petrônio, presidente da Associação.
Durante meses, mais de ano, o pacientíssimo Petrônio (que não usava chapéu), “andou de chapéu na mão” implorando, pedindo, bajulando e humilhando-se até ao então Prefeito (nomeado) da cidade, coronel Jorjão:
“Coronel!… vê se arruma um lugarzinho pro Honorato! O homem precisa trabalhar… Eu já não aguento mais carregar o Honorato nas minhas costas!…”
“Sim… sim, vou arrumar, Petrônio! Mas tenha paciência… um tempo mais… as coisas não andam fáceis…”, defendia-se o coronel Prefeito.
O coronel (obviamente se tratava de um desses coronéis espertalhões e politiqueiros, fujões da guerra e que hoje ocupam todas as “bocas boas” da Pátria Amada), sempre procrastinando, sempre enrolando, mas tantas vezes abordado pelo insistente Petrônio, terminou por arranjar um emprego para o Honorato: guarda-noturno das obras de remodelação do Mercado Municipal, percebendo mil e quinhentos cruzeiros por mês! Um lixo de emprego para o candidato tão recomendado pelo Presidente da Associação dos Ex-Combatentes! E com qualificação e mérito para posição superior.
Mas Honorato, bom e simples como era, não só aceitou como ficou contente com o miserável empreguinho. Só que não durou: seis meses depois, a guarda foi desativada. Um ano e meio de labuta, de insistência e de paciência do Petrônio, para conseguir uma porcaria de emprego, que mal durou seis meses! E o pobre do Honorato voltou a vagar, desempregado. Dias depois, sumiu no mundo…
Continua: Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte VI
Artigo composto de 7 partes:
Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte I
Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte II
Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte III
Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte IV
Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte V
Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte VI
Injusticas Contra os Ex-combatentes da FEB – Parte VII


















[... Onde andará o Honorato? Que alma boa e simples. Era um desses tipos curiosos que conseguem fazer milagres com o pouco ou quase nada que ganham. Andava sempre bem vestido ...]
[... Onde andará o Honorato? Que alma boa e simples. Era um desses tipos curiosos que conseguem fazer milagres com o pouco ou quase nada que ganham. Andava sempre bem vestido ...]