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O Dia D – Forças Aliadas – Parte V

ENGANOS, PLANOS E RESISTÊNCIA

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Típico Maqui

Em certo sentido, os Aliados já tinham um exército na Europa antes do Dia D – a Resistência. Na teoria, o governo constitucional da França era o regime de Vichy sob o velho Marechal Pétain. Sua autoridade fora grandemente reduzida e Pierre Lavaique – que garantira a colaboração desejada pelos alemães – governava apenas com o consentimento destes. Por volta de 1944, tornou-se claro que a verdadeira voz da França era a do General Charles de Gaulle, cujo quartel-general se localizava, evidentemente, em Londres.

A Resistência Francesa fora chamada de “uma mistura de coragem e patriotismo, ambição, facção e traição”. Compreendia numerosos grupos, cujo substrato político ia do comunismo e Front Populaire ao catolicismo.

Em 1944, os Maquis abrangiam talvez cerca de 100.000 pessoas, muitos das quais fugiram para as montanhas a fim de não serem enviadas ao trabalho forçado na Alemanha. Constituíam a matéria-prima para a guerra de guerrilha.

A Resistência Belga, o “Exército Secreto”, tinha cerca de 45.000 homens. No segundo trimestre de 1944, 55 operações aéreas forneceram-lhes armas. Por outro lado, o Abwehr (serviço secreto alemão) tinha tido muito êxito em capturar agentes secretos aliados lançados sobre a Holanda, de modo que a resistência holandesa se encontrava pobremente equipada.

Uma complicada organização na Inglaterra se esforçava para controlar e armar todos esses movimentos da Resistência. Neste trabalho, a British Broadcasting Corporation e a Special Operations Executive (SOE) tiveram papel insubstituível. Os planejadores aliados, ao mesmo tempo em que concordavam em que as chamas da resistência tinham de ser insufladas por todos os meios possíveis, não confiavam em suas atividades. Qualquer sabotagem ou qualquer levante armado era considerada simplesmente como um bônus. Não é fácil quantificar-se as realizações daqueles homens e mulheres patrióticos, mas é evidente que eles, pelo simples fato de existirem, mantiveram presos milhares de soldados inimigos. Com emboscadas e atos de sabotagem, infligiram sérios atrasos às reservas alemãs mobilizadas para a batalha no verão de 1944.

Exércitos Inexistentes

Além dos exércitos que realmente existiam, os Aliados serviram-se de outros inexistentes. Era fundamental para o êxito da Overlord que os alemães, que ainda gozavam de grande vantagem numérica nas forças terrestres, fossem induzidos a falsas suposições. Sabia-se, naturalmente, que os comandantes alemães estavam cientes dos preparativos aliados para um assalto. Ao mesmo tempo pensava-se que, graças à boa segurança, eles podiam ser enganados sobre quando e onde o desembarque teria lugar. Por essa razão era essencial que o bombardeio preliminar não fosse dirigido contra a Normandia como ponto escolhido de desembarque. Por isso, para cada alvo atacado na área de assalto, dois seriam bombardeados alhures, especialmente em Pás de Calais. Este plano de cobertura aumentou enormemente o número de investidas a ser conduzido pelas forças aéreas aliadas, e, portanto suas perdas, mas seu êxito estratégico não pode ser colocado em dúvida.

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Mapa mostra a Pouca distância entre Calais e a Inglaterra

Para dar uma falsa imagem de sua estratégia abrangente, os Aliados imaginaram um plano para causar confusão (nome de código: Bodyguard). Era suplementado pelo Fortitude, que era o plano de cobertura para a Normandia. A história que os Aliados tentavam vender era que a campanha de 1944 deveria abrir-se com a invasão ao sul da Noruega. Depois, por volta da terceira semana de julho, o ataque principal seria lançado contra Pás de Calais. Vasos de desembarque simulados foram reunidos nos portos e embarcadouros a sudeste; o tráfego do rádio, os exercícios de treinamento, etc. transmitiram a impressão desejada. Mesmo depois do Dia D, permaneceu a idéia de que o ataque à Normandia era um blefe.

A invasão fictícia da Noruega foi confiada ao Tenente-General Sir A. F. A. N. Thorne, Comandante-em-Chefe do Comando Norte. Seu “Quarto Exército”, que consistia de três corpos imaginários, estava reunido na Escócia. Havia algumas tropas na Escócia, mas nem por isso o Quarto deixava de ser um exército fantasma, colocado no ar pelo tráfego do rádio a partir de um esqueleto de quartel-general. Os movimentos e exercícios de tropas, e alguns vazamentos bem calculados, apontavam para o desembarque na costa norueguesa. Este engano deveria ser mantido até julho. Hitler era sensível a qualquer ameaça à Noruega. Enfurecido pela incursão-comando que varreu a guarnição de Vaagso a 27 de dezembro de 1941, ele elevou a guarnição da Noruega para cerca de 300.000 homens. Era essencial para os Aliados que eles não fossem mobilizados para a França, onde apenas 100.000 deles teriam aumentado enormemente o poder defensivo do Grupo Ocidental do Exército. O Quarto Exército não foi, de modo algum, o menos eficiente dos exércitos que “combateram” do lado aliado na Segunda Guerra Mundial.

A invasão imaginária de Pás de Calais foi fixada para meados de julho. Uma força de assalto mítica de 12 divisões deveria crescer até 50 divisões. Havia, logicamente, muitas formações reais a leste e sudeste da Inglaterra. Isso fez com que elas aparecessem mais fortes do que na verdade o eram, pelo volume crescente do tráfego de rádio. Nada se negligenciou que pudesse aumentar a impressão desejada. Vazamentos oportunos através da imprensa, além daqueles através de canais diplomáticos e subterrâneos, davam realismo ao quadro. Nas regiões a sudeste, as forças – reais e imaginárias – estavam abertamente reunidas, enquanto a sudoeste não se poupou esforço para ocultá-las. Os mapas alemães que mostravam as posições aliadas na Inglaterra provam os quão longe tais enganos chegaram.

Seu sucesso deveu-se também ao fato de que Hitler estava convencido desde o início de que o assalto principal dos Aliados seria desfechado contra Pás de Calais. Na verdade, todos os líderes alemães eram de opinião de que ele teria de ser fortemente defendido. E tal ponto de vista não era desarrazoado. Tratava-se da rota marítima mais próxima entre a Inglaterra e a França, e a rota mais curta para uma arremetida aliada ao pólo industrial de Rhur. Os líderes alemães achavam provável que os Aliados atacassem em diversos lugares, mas havia divergências quanto ao desembarque dos assaltos subsidiários. Noruega, a costa atlântica, Portugal e a costa mediterrânea da França – todas essas possibilidades foram discutidas. Em outubro de 1943, von Rundstedt fazia notar que “a Normandia com Cherbourg e a Bretanha com Brest são áreas adicionais importantes à frente do Canal”, e, embora isso levasse algum tempo, parece que Hitler chegou a pensar algo assim. A 4 de março de 1944, ele as descrevia como “particularmente ameaçadas”, e dois dias depois seu Chefe de Estado-Maior pessoal, o General Alfred Jodi, disse a von Rundstedt que o Führer dedicava “particular importância à Nor-mandia”, em especial a Cherbourg. Isto levou ao reforço da península de Cotentin pela 91ª Divisão de Terra-e-Ar, pelo 6° Regimento de pára-quedistas e por outras unidades. Em abril, a 21ª Divisão Panzer foi mobilizada da Bretanha para Caen e a Divisão Panzer Lehr da Hungria para Chartres.

As previsões de von Rundstedt das intenções dos Aliados eram tranqüilas. Em seu relatório de 15 de maio sobre a situação, ele enfatizava que os Aliados precisavam capturar portos grandes: “Lê Havre e Cherbourg, sob este ponto de vista, têm que ser considerados em primeiro lugar. Parece muito natural que Boulogne e a península de Cotentin sejam visadas na primeira fase.” A 29 de maio ele concluía que os ataques aéreos às pontes do Sena “poderiam indicar intenções inimigas sobre a Normandia (formação de uma cabeça-de-ponte)”.

Os Aliados, de fato, tencionavam desembarcar três divisões aerotransportadas e cinco via marítima entre o rio Dives e a península de Cherbourg, e formar uma cabeça-de-ponte que incluiria as cidades de Caen, Bayeux e Saint Lò. A função das divisões aerotransportadas era guarnecer os flancos da cabeça-de-ponte, enquanto as outras divisões avançavam para o interior.

Veja também:

O Dia D – Forças Aliadas – Parte I
O Dia D – Forças Aliadas – Parte II
O Dia D – Forças Aliadas – Parte III
O Dia D – Forças Aliadas – Parte IV
O Dia D – Forças Aliadas – Parte V

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Sobre o Autor

Andre Luiz! já escreveu 408 artigos para este site.

André Luiz tem 28 anos, é natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, fascinado pelos acontecimentos históricos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Escreve para o Segunda Guerra.org sob a expectativa de contribuir com a memória deste sangrento conflito e demonstrar que até mesmo nos fatos históricos mais terríveis é possível encontrar detalhes interessantes.

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