Harley-Davidson WLA – No Exército dos Estados Unidos as motocicletas foram usadas como veículo de ligação, escolta de comboio e policial e as versões militares foram modificações dos modelos civis já existentes.

Criadas inicialmente como motocicletas civis pela Harley-Davidson, o modelo WL, antes da Segunda Guerra Mundial, será produzido aos milhares e terá sua versão militar designada WLA onde o A significa ARMY a partir de 1941, alcançando a cifra de 90.000 unidades produzidas até 1946 para atender ao Exército Americano e seus aliados, produzidas tanto nos Estados Unidos como no Canada onde recebeu a designação de WLC.

Vistas da WLA do Exército dos Estados Unidos quando de seu lançamento. Crédito das fotos:
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Harley-Davidson WLA na FEB – Com a criação da Força Expedicionária Brasileira, a nossa FEB, que foi enviada para os campos da Itália entre 1944 e 1945, onde participou de diversos combates, dentro das unidades que a compunham existia um Pelotão de Polícia que empregou diversos tipos de veículos e dentre eles duas motocicletas Harley-Davidson WLA 42, cujo número de série foram 575.604 (motor 29.829) e 613.870 (motor 20.233), sendo as únicas empregadas pela FEB.

Este pelotão de polícia deu origem à Polícia do Exército Brasileiro, mais conhecida pela sigla P.E. e que existe até os dias de hoje, inclusive participando de Missões de Paz no exterior como é o caso da unidade que opera atualmente em Timor Leste.

O modelo WLA era uma motocicleta de dois cilindros, impulsionada por um motor a gasolina refrigerado a ar, tipo V, quatro tempos e quatro ciclos e diferia do modelo civil por ter recebido um porta bagageiro de couro, maior e mais resistente em ambos os lados nas laterais traseiras, um porta munição metálico na lateral esquerda da roda frontal, um porta metralhadora em couro na lateral direita, uma proteção frontal similar a um parabrisa em material plástico transparente, uma placa de aço para proteção do cárter e recebeu a pintura em verde oliva e os respectivos emblemas e marcações típicas do exército.

Na FEB receberam as marcações do Cruzeiro do Sul, nos paralamas e nas laterais do tanque de combustível e as siglas MP (Military Police), a matrícula FEB 210 C (indicativa de Tropa Especial o número 210 e a letra C Pelotão de Polícia) todas em branco.

Em uma delas foi colocado sobre o pára-lama dianteiro uma potente sirene, bem à frente do farol que ajudava na missão de batedor.

Mesmo sendo pesadas, com embreagem de pé e mudanças na mão, a maioria do que as utilizaram, mesmo fora do exército americano, gostaram e confiaram nesta grande máquina pois eram robustas e aquentavam altas velocidades durante longos períodos de tempo.

Vale ressaltar que embora a motocicleta tenha entrado na Segunda Guerra Mundial com um papel significativo, sua importância foi diminuindo na medida em que esta progredia e com as novas formas de comunicação, como o rádio seu papel foi diminuindo, mas elas tiveram uma sobrevida no pós-guerra, pois os exército americano as possuía em grande quantidade e não mais as precisavam quando do término da guerra em 1945. Mais uma vez, os civis que precisavam de transportes baratos e as fábricas tinham sido esgotadas pelo esforço de guerra e não possuíam novas máquinas civis em estoque para os felizes desmobilizados com o pagamento do governo no bolso que puderam assim adquirir estas e outros tipos de veículos excedentes de guerra.

As duas usadas pela FEB vieram para o Brasil em 1945 e foram incorporadas a outras que foram empregadas ainda por muito tempo no Exército Brasileiro, em diversas unidades, fruto de acordos militares para recebem excedentes de guerra e algumas ainda podem ser vistas em mãos de colecionadores.

 

Fabricante: Harley-Davidson

Modelo: WLA 42

Motor: Dois cilindros em V, a gasolina, refrigerado a ar

Distância entre eixos: 1,51m

Comprimento: 2,23m

Altura: 1,04m

Peso: 245kg

Velocidade máxima: 65 milhas por hora

Raio de ação: 100 milhas

Tamanho da roda: 45cm

Tamanho do pneu: 4,00 x 18 polegadas

Tripulação: Um

Expedito Carlos Stephani Bastos
Pesquisador de Assuntos Militares da Universidade Federal de Juiz de Fora

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