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A Base Humana da FEB

feb-emblema“… todo soldado de má conduta seria transferido de imediato para as comunidades que iriam combater”.
Palavras do Cel. Afonso de Carvalho, comandante da Fortaleza de São João, transcrita no livro “FEB 12 anos depois”.

“Os apelos das autoridades militares, chamando para as fileiras das tropas expedicionárias todos os homens aptos, ficavam sem eco entre as elites mais expressivas. E assim a FEB teve que ser organizada com a juventude pobre do Brasil”.
Gal. F. Paula. Cidade

Muitos comandantes de unidades são diretamente responsáveis pela qualidade moral de vários soldados que foram transferidos para a FEB. Dessa forma, as unidades expedicionárias passaram a ser uma concentração de soldados com baixo nível disciplinar. Eles vinham de todos os recantos do Brasil. Com isso aumentaram os problemas já agravados com inúmeros outros equacionados e dependentes de solução imediata.

Não quiseram tais comandantes compreender o alcance da missão expedicionária, retrato fiel do nosso glorioso Exército e expressão máxima do valor brasileiro, na defesa de um princípio que já empenhara tantos povos, com os quais iríamos ombrear, tendo pela frente um aguerrido inimigo e, antes de tudo, inteligente.

Além da indiferença com que encaravam as ordens recebidas dos superiores, deixaram, à margem, o espírito de coleguismo. Enviaram para as unidades expedicionárias diversos homens moralmente incapazes, cujo único propósito era o de se afastarem do Exército o quanto antes e a qualquer preço.

Como conseqüência de atitudes inexplicáveis, muitas vezes nós falhamos, porque não tivemos unidade, coesão, princípios.
Na 1º Companhia Do 11º RI havia um soldado com o apelido “Caça Minas”. Certa vez, a Companhia estava numa difícil posição nas proximidades de Iola. Em saliência montanhosa que penetrava na terra de ninguém, possuíamos, com os ingleses, um posto de observação. A Companhia guardava o acesso a essa elevação. O “Caça Minas”, durante a noite, em posição nesse caminho, viu passar por ele uma patrulha alemã que subiu o morro, prendeu o observador inglês e o brasileiro. Em seguida, passou novamente junto ao seu posto e saiu ilesa das nossas linhas, levando dois prisioneiros.

Depois de afastado o perigo, acordou o companheiro de posição dizendo que escutara um barulho e que o soldado fosse chamar o comandante do grupo. O sargento corre ao posto de observação e de imediato constata a grave falta do soldado.
O “Caça Minas” passou a simbolizar um fato. Tivesse ele agido com inteligência, o caso teria outro desfecho, com o total aprisionamento da patrulha.

Infelizmente muitos “Caça Minas” existiam na FEB, isso porque comandantes de companhias não pensaram na responsabilidade que o soldado teria na linha de frente, ou simplesmente porque muitos patriotas do asfalto não tiveram querido mostrar um pouco daquele patriotismo que pregava em praça pública.

Certa ocasião eu estava visitando o PC de outra Companhia no front. Uma série de tiros, na zona da Companhia alertou a frente. Constatou-se que um soldado alemão, isoladamente, viera até as posições brasileiras. Aproveitando-se da escuridão, chegara praticamente dentro de nossas linhas. O soldado brasileiro em posição, com um FM, quando pressentiu o inimigo, descarregou a esmo a munição da arma. Então o nosso companheiro tirou a cabeça fora do abrigo para jogar uma granada de mão. Neste instante, recebe de pronto, um tiro na cabeça, impedindo-o de lançar devidamente a granada, que teve a direção desviada, indo cair e explodindo no abrigo do outro companheiro.
O alemão voltou para suas linhas e nos tivemos um morto e um ferido.

Fonte: A Verdade sobre Guanella – Um Drama da FEB
Alfredo Bertoldo Klas
Editora Juruá
Páginas: 62-63

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FEB na Itália

Sobre Ricardo Lavecchia

Desenhista, Ilustrador e pesquisador sobre a Segunda Guerra Mundial

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