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Brasil na Segunda Guerra – A FEB e o Dia da Vitória

O DIA DA VITÓRIA

Em 8 DE MAIO DE 2009.

Há exatamente 64 anos no dia de hoje, as forças aliadas que combateram contra o nazi-fascismo durante a 2ª Guerra Mundial, faziam ruir por terra as armas do eixo- Berlim-Roma- Tóquio, dando fim de uma guerra que iniciara em 1939. No maior conflito mundial ocorrido em época contemporânea, a participação brasileira com a Força Expedicionária Brasileira foi modelar, elogiada pelo V Exército Americano e cumpriu o seu papel na defesa das liberdades.

Da peculiar neutralidade que tem orientado a política externa brasileira, o ritmo da guerra vai exigindo uma participação mais atuante do governo. Nesta fase a história registra uma intrincada política de bastidores, que envolvia interesses pró germanófilos, com simpatizantes no alto escalão do governo e militares simpatizantes da máquina de guerra alemã. Do outro lado estavam os americanófobos, conduzidos pelo ministro das relações exteriores Osvaldo Aranha.

Em jogo estavam as necessidades do país, no que diz respeito a premente necessidade de equipar o exército com novos armamentos e a construção de uma usina siderúrgica para atender a demanda industrial. No choque de interesses, o atraso dos preparativos e do embarque da FEB para a Itália, acabaram criando indecisões, que deram origem ao célebre slogam “É mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil ir para a guerra”.

Mas o afundamento dos navios mercantes brasileiros no período de 1942 a 1943 por submarinos alemães, em águas nacionais, provocou veemente protesto da população brasileira, mesmo antes do Brasil entrar em campo de batalha, somavam-se então 971 mortes de brasileiros. Tal situação obrigou o governo Getúlio Vargas a decretar o estado de guerra em 22 de agosto de 1942.

A FEB sob o comando do marechal Mascarenhas de Moraes, partiu em vários escalões para a Itália. Nos preparativos para o Dia D e o desembarque na Normandia, 7 divisões de soldados norte- americanos são transferidas para participar diretamente dessas ações. Para suprir esse vazio, os soldados brasileiros são destacados para a Linha Gótica, ao nordeste da Itália, próximo a Bolonha, uma longa faixa de 250 quilômetros fortemente armada. Lá estavam os grandes desafios dos brasileiros, Monte Castello e Montese.

Mas na árdua missão dos que se vêem envolvidos em uma guerra, é necessário lembrar do papel exercido também pelas mulheres brasileiras. Participaram da FEB 74  enfermeiras, que juntamente dos médicos e padioleiros, compunham o Serviço de Saúde da FEB.Os médicos e cirurgiões capacitados e com suas praticas inovadoras salvaram centenas de vidas.

As abnegadas enfermeiras da FEB, deixaram suas famílias como voluntárias e exerceram suas funções nos hospitais da retaguarda, sempre com muita bondade. Ajudaram também os doentes italianos, e muitas vezes ao lado do soldado ferido substituíram seus entes familiares.

O Paraná enviou 8 enfermeiras paranaenses, dentre as quais se destaca Virginia Leite a única remanescente, que no alto da sua experiência tem ajudado a preservar a história do Serviço de Saúde da FEB. Pelo seu relato ficamos sabendo do uso inovador da penicilina e da sulfa, que salvaram milhares de pessoas. Os atos de solidariedade, entre corpo médico e enfermeiras, marcaram para todo o sempre a existência de suas vidas.

Além das enfermeiras do Corpo de Saúde da FEB, destaca-se na história da guerra a participação de outras personagens. A Legião Brasileira de Assistência (LBA) criada por Darcy Vargas em 1944, promoveu campanhas pró-expedicionários. Nas praticas ações das suas associadas, a mais benemérita foi conduzida pelas madrinhas de guerra, geralmente senhoras encarregadas de se corresponderem com os combatentes. Noticias iam e vinham, proporcionando o momento mais esperado pelas tropas que estavam na retaguarda ou em frente de combate, segundo nossos soldados.

No rol das mulheres que aqui ficaram, temos ainda as mães, as esposas e as noivas, que suportaram com resignação a ausência dos entes queridos no tempo em que a guerra durou. Muitas mensagens foram gravadas em disco pela BBC e levadas até aos soldados nos seus diversos regimentos. O Globo Expedicionário e a própria LBA por meio do seu boletim faziam o mesmo. As mensagens cifradas eram ouvidas ou lidas com sofreguidão, e registravam o cotidiano das famílias, com o relato de nascimentos e aniversários,  proporcionando aos soldados a  infindável esperança de voltar  para o Brasil.

Na trajetória dos brasileiros que participaram de uma guerra que não se fala mais, registra-se aqui o esforço de toda uma sociedade. Se hoje vislumbramos a liberdade como um dos aportes mais importantes da cidadania, se execramos os regimes de exceção, a nossa homenagem à FEB, seus homens e mulheres que um dia constituíram história.

 

Carmen Lúcia Rigoni.
Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

Ricardo Lavecchia

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