A Força Expedicionária Brasileira, como as demais forças aliadas envolvidas na Segunda Guerra Mundial, teve a necessidade de instalar seu Cemitério Militar, como consequência natural de suas ações de combates. Assim, quando a 1ª DIE, profundamente empenhada em combate na cordilheira dos Apeninos contra a linha gótica em pleno inverno – novembro de 1944 –, seu Comandante General de Divisão João Baptista Mascarenhas de Moraes determinou, de acordo com autoridades do 5° Exército dos Estados Unidos da América do Norte, que uma comissão composta de brasileiros e americanos, escolhesse um terreno, na Província de Pistoia, onde estava o Quartel General Recuado, para proceder à organização do Cemitério Militar.

Pistoia, situada fora da zona de ação na época, além do QG citado tinha também um hospital de campo, armazéns, materiais e vários serviços necessários ao desenvolvimento das atividades bélicas na linha de combate, a cerca de 30 quilômetros dali. Foi escolhido um terreno na localidade de São Roque, a 5 quilômetros do centro de Pistoia, nas proximidades do Cemitério Municipal e da igreja do lugar.

Aprovada a escolha do terreno, em 2 de Dezembro de 1944, foi feita a requisição Militar pelo Ajudante General do E.M. Especial da 1ª DIE., Cel Oswaldo Araujo  Motta, que juntamente com o 1° Tenente R.F. Fitzsevald, este representando o Comandante da Engenharia do 5° Exército, receberam o terreno de seu proprietário Advogado Pietro Landini.

Detlhe das cruzes no cemitério de Pistóia

A área requisitada inicialmente era de 15.389 metros quadrados, com uma frente de aproximadamente 200 metros, indo desde o Cemitério de São Roque até o cruzamento da antiga “via Carota e Molina” com a “via Sei Arcole” que fronteia o Cemitério Brasileiro. Os organizadores reservaram uma faixa distando de quatro metros do Cemitério Brasileiro para uma pequena estrada, que limitou a parte Sul do Cemitério dos brasileiros, onde foi iniciado o jardim que circunda todo o local destinado às Sepulturas. Na mesma data, o recinto foi abençoado pelo Capelão Militar Padre Noé Pereira, na presença do Capelão Chefe do Serviço Religioso católico, Tenente-Coronel João Pheeney de Camargo e Silva, ambos efetivos da 1ª DIE.

Participaram da solene cerimônia o 1° Tenente I.E. Lafayette Vargas Moreira Brasiliano; todos os oficiais e praças do Pelotão de Sepultamento e muitos outros militares da Tropa Brasileira que vieram a Pistoia especialmente para assistir o ato que consagrava aquela terra destinada a acolher os heróis brasileiros tombados no cumprimento do dever militar além-mar em terras da Itália.

O 1° Tenente Lafayette Vargas Moreira Brasiliano, Comandante do 1° Pelotão de Sepultamento da Tropa Especial da 1° DIE foi o verdadeiro organizador do Cemitério, tendo como Subcomandante o 2° Tenente Copérnico Arruda Cordeiro e o 2° Tenente Dalton Santos Martins da Costa, que se revezavam no cargo segundo necessidade de serviço.

Coincidiu a organização do Cemitério com a parte mais intensa da campanha na Itália. Rapidamente o terreno foi demarcado e dividido em doze quadras. Entretanto, com grande habilidade, o Tenente Lafayette, prevendo que nem todas seriam utilizadas, iniciou os sepultamentos pela quadra central, que tem como base o lado do já citado Cemitério de “San Rocco”. As quadras foram dispostas em colunas e marcadas com letras maiúsculas do alfabeto. A quadra “A” foi a primeira do centro, seguida da quadra “B”, na mesma fila; à esquerda da central estavam as quadras “C” e  “D”; na fila à direita da central estava a quadra “E” que foi destinada a dar sepultura aos alemães recolhidos pelos brasileiros após os combates.


O 1° Pelotão de Sepultamento que fora constituído desde julho, quando o 1° Escalão da FEB ainda se aproximava da Europa, prestando assistência a dois pracinhas tombados em cumprimento de dever militar, contava agora com um lugar seguro para desempenho das tarefas de Comando e de Administração.

Os primeiros brasileiros mortos em combate perto do litoral Tirrênico haviam sido sepultados nos Cemitérios Militares dos Aliados, e até mesmo em Cemitérios Municipais da Itália; mas a  partir de Dezembro de 1944, já ia diretamente para o Cemitério Brasileiro.

Todos aqueles soldados sepultados anteriormente foram transladados para Pistoia, único Cemitério Militar brasileiro no exterior. Após o termino do conflito a área  empenhada pelo Cemitério foi reduzida a cerca de metade – tamanho suficiente para acolher os 450 mortos em solo italiano, inclusive 8 Aviadores Pilotos da FAB.

A guarda do Exército brasileiro permaneceu no Cemitério até maio de 1947, quando foi designado para a guarda e manutenção o Sargento Miguel Pereira integrante da FEB., que resgatou os corpos dos companheiros com um meticuloso trabalho de pesquisa em todos os locais  atingidos pelos soldados brasileiros.

Foram assim resgatados 8 entre os 23 desaparecidos  que constavam na lista de baixas.
Em dezembro de 1960, sob forte pressão do Marechal Mascarenhas de Moraes, os despojos foram transladados para o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial no aterro da Glória – bairro Flamengo, no Rio de Janeiro – onde ainda repousam.

Abaixo um vídeo que mostra um pouco do cemitério de Pistóia ainda guardando os despojos dos militares brasileiros, em 1956, durante a visita de Juscelino Kubitschek à Itália.

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Comentários

  1. Gostaria muito de saber os nomes completos de todos os pracinhas mortos na 2ª guerra Mundial, especificamente os que morreram na Italia. Se tiver alguma site que tenham estas informações por favor me informe. Obrigado.

  2. Sou italiano, moro na cidade de S.Paulo, em 2012 irei para a ITÁLIA, E PRETENDO visitar cemitérios militares, brasileiros(em Pistoia), alemães, americanos, ingleses etc.. Solicito me informar onde posso consultar, para saber os locais que estão situados na Itália.
    Falo italiano e um inglês razoável. Também onde em São Paulo, é o endereço da FEB, pois pretendo saber e visitar MONTE CASTELO, que na ultima vez que estive na Itália, não consegui localiza-lo.

    Grato

    ROMANO ZAVALLONI

    1. Romano entre em contato comigo via e-mail ricardo@segundaguerra.net

  3. Assisti pela TV SENADO, uma reniao entre italianos e nossos senadores.falaram a respeito das acoes da FEB na ITALIA, e na ocasiao os representantes italianos falaram sobre uma solenidade que ocorrera em maio de 2012 em pistoia relacionadoa a 2 guerra mundial. gostaria de receber informacoes a respeito. Agradeco a vossa atencao.

  4. Gostaria de saber sobre ex.combatentes que servirão e participarmos de missões em Fernando de Noronha.
    Ex. Combate ELIAS IZIDORO DE LIMA necessito de Ex companheiros entre em contato no Email- carlos.rib@zipmail.com.br.
    Gostaria de saber sobre livro que tem publicado sobre as unidades da segunda guerra do Brasil. Principal as que pássaro sobre Fernando de Noronha.
    E sobre se o Exercito na segunda guerra
    Muito Obrigado.t
    Carlos.

  5. Da capital fluminense acompanhava o desenrolar das operacoes de guerra na Europa e no Atlantico Sul, com o afundamento do Couracado Admiral Graf Spee. Nesse momento, a questao do saliente nordestino comeca a circular nos meios militares. Nesse momento, o General Mascarenhas de Morais resolve pleitear, junto ao Ministro da Guerra, um comando fora do Rio de Janeiro, de preferencia no Nordeste, no que foi atendido. No ano de 1941 e designado comandante da 7? Regiao Militar (7? RM), em Recife. A partir desse momento comeca a se engajar definitivamente nos misteres relativos a eventual preparacao militar do Brasil para a Segunda Guerra Mundial. Comandando a 7? RM, passava a comandar a area estrategica mais importante do territorio brasileiro nessa hora de conflito

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