FEB – A Partida rumo a Batalha

No dia 22 de setembro, às doze horas e quinze minutos, o comboio se pôs em marcha lenta, rumo à saída da barra. Ao passar pela frente da Escola Naval, era possível avistar, mesmo sem binóculo, o relógio da Central do Brasil, marcando 12h25min., apesar de o tempo estar um pouco enfumaçado e a visibilidade não ser das melhores. As 12:h45min., o navio transpôs a barra. Foi um momento de emoção. Era deixado para trás a Pátria.

Contemplavam com longos olhares os morros e as praias do Rio de Janeiro e cada um de nós evocava gratas passagens que eles recordavam. As lembranças dos entes queridos que ficavam por trás daqueles montes nos vinham nítidas à memória. Quando voltariam a rever essas praias saudosas? Quando voltariam a transpor essa barra, de regresso à Pátria? Admiram o “Gigante Deitado”, que o Comandante Raul Reis descreveu pelo microfone de bordo, desde o morro da Gávea, passando pelo Corcovado, até o Pão de Açúcar.

Para a maioria dos homens da FEB, esta era a primeira vez que faziam uma viagem transatlântica e sentiam um misto de tristeza e de entusiasmo, de emoção da partida e de curiosidade pelo que viam. E assim foram se afastando da Baía de Guanabara, onde ficavam os sonhos de após-guerra. O que interessava agora era a guerra em si.

Com decisão e coragem enfrentaram a primeira etapa, que era justamente a travessia do Atlântico, para ir lutar ao lado de seus irmãos.

O General Cordeiro de Faria, aproveitando o momento psicológico, dirigiu um belo discurso a suas tropas, falando sobre a significação daquele instante, em que deixavam a Pátria, os parentes e amigos, para irem defender o nome do Brasil e a liberdade dos povos oprimidos pelo nazi-fascismo.

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