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FEB – Vida Social das Enfermeiras

feb_topAs enfermeiras foram levando suas vidas em campanha. Nas horas de folga, procuravam organizar suas vidas sociais. Claro que em toda comunidade formam-se sempre os grupinhos. Entre elas, organizavam brincadeiras, e mesmo shows, mas nem todos os médicos tinham acesso a essas reuniões, pois alguns deles não eram dignos de fazer parte do “circulo das enfermeiras”.

Entre os que gozavam da amizade das enfermeiras por serem pessoas respeitadoras e amigas, faziam parte o Professor Alípio Correa Neto, Henrique Campos de Assunção Rupp, que aliás era Segundo-Tenente, mais moderno que elas e por este motivo sempre brincávamos muito com ele, Professor Alfredo Monteiro, o Professor Estelita Lins, famoso ortopedista, Caio Amaral, Tenente Sebastião Souto Maior, aliás marido de uma delas, Elza Miranda da Silva, o anestesista Breno Mascarenhas, José Monteiro, aliás, por coincidência, todos da reserva.

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Enfermeiras do Hospital de Sta. Lucce em Vada. Da esquerda para a direita: Virgínia, Altanira, Lúcia, Berta, Carmita e Carmen Bebiano.

Poucos eram os da ativa que faziam parte desse seleto grupo. No início de suas atividades em Pisa, o front estava calmo, de forma que chegavam poucos doentes e havia uma verdadeira disputa dos médicos para atendê-los. Foi motivo para um show. Cada uma das enfermeiras representava um dos médicos. Carminha, uma enfermeira muito pequenina, era o Dr. Waldemar Rosa; Antonieta, o paciente. A cena transcorria na enfermaria de choque. Tudo estava em calma até que se ouve um brado!… Ambulância brasileira! Alvoroço geral entre os médicos. Eis que entra na sala o paciente “Antonieta” com um lacinho de gaze muito bem dado na ponta do dedo mínimo. Com um andar gingado e de bom malandro. Os médicos acorrem e tratam de puxar, cada um para seu lado, o pobre paciente. – “O doente é meu” – gritava um. O outro contestava: – “É meu porque eu sou cirurgião”. – “Não senhor, é meu porque sou ortopedista”, e assim discutiam. Por ser o menorzinho da turma, o Dr. Waldemar (Carminha) trata de arranjar um caixote para trepar e, do alto de seu pedestal, acaba com a alegria dos demais. Batendo palmas e aos gritos diz: “- Pare com isto, o doente é meu, porque EU SOU O OFICIAL DE DIA!” A essa altura o paciente, apavorado, resolve dar o fora. Era um malandro que havia bolado o ferimento só para tirar umas férias na retaguarda, mas quando deu por si já tinha uma perna entalada, um braço enfaixado, a cara toda cheia de esparadrapos. Saltando da mesa e conseguindo se desvencilhar de tantos “cuidados”, brada desesperado:
– “Credo! Deixa-me, se é para ser tratado assim, eu prefiro o front”.

Para elas era uma alegria enorme receber visita dos amigos que estavam combatendo. Quando estavam de folga, aproveitavam para empreender uma excursão a Florença ou a Luca, cidade das mais lindas flores.

Sobre Andre Almeida

Ex-militar do exército, psicólogo e desenvolvedor na área de TI.Sou um entusiasta acerca da Segunda Guerra Mundial e criei o site em 2008, sob a expectativa de ilustrar que todo evento humano possui algo a ser refletido e aprendido.

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