Relatos da Segunda Guerra – Confusão Com a Senha

A 5a Cia. foi designada para substituir um batalhão de negros americanos, bons de bagunça e ruins de linha de frente. Com a frente de batalha muito extensa, o capitão Henrique solicitou ao Alto Comando, o reforço de duas seções de metralhadoras pesadas. Cada seção possuía duas peças que eram comandadas por um cabo. Todo o pessoal era do 1o R.I., cariocas, portanto.
Questionados sobre as senhas a serem utilizadas, os cabos responsáveis informaram que suas senhas seriam, Flamengo e Botafogo, respectivamente. Em seguida, foram posicionados na frente de batalha. À noite, sob lua clara, a seção Botafogo comunicou ao capitão a aproximação de uma patrulha inimiga, informando também que seriam entre doze e quinze homens.
O capitão mandou que esperassem a patrulha chegar um pouco mais perto, encerrando o contato. Quando, alguns instantes depois, tentou comunicar-se com o cabo comandante da seção, o mesmo não atendeu ao chamado. Insistentemente, o capitão começou a gritar:
— Alô, Botafogo…! Alô, Botafogo…!
Acabou sendo ouvido pelos praças, que gritaram para seus artilheiros:
— O capitão está ordenando: “Mete Fogo! Mete Fogo…”!
Em instantes, toda a frente estava disparando suas armas, e quanto mais o capitão gritava, mais tiros davam. Até que foi enviado um mensageiro a pé, mandando suspender o fogo.
Foi lançado um very-light (dispositivo para iluminação noturna, normalmente arremessado por morteiro a grande altura, onde se abre então, um pequeno paraquedas para retardar a descida) que iluminou uma área de mais ou menos cem metros. Constatou-se, então, que havia um único alemão morto, tendo o restante da patrulha escapado, apesar do intenso tiroteio.
Foi enorme a confusão. Choveram telefonemas das demais companhias e do batalhão, todos querendo saber sobre “o violento ataque dos alemães”.
É uma sorte a fartura de munição…
Fonte: João Batista Moreira – Cabo – 5a Cia. – 11º R.I.

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