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Explicar por que o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial pode ser controverso e gerar dissensões entre os historiadores, pois enquanto uns afirmarão que o motivo foi os navios brasileiros afundados pelos alemães, outros dirão que esse episódio foi apenas uma desculpa. Alguns ainda arriscarão dizer que a entrada do Brasil na guerra ao lado dos aliados foi meramente uma troca de favores entre o Governo de Getúlio Vargas e os Estados Unidos.

Seja qual tenha sido o real motivo da participação brasileira, o fato é que embarcaram rumo a Itália milhares de rapazes que tinham a certeza de que nada a ver eles tinham com aquela guerra. Jovens de origem humilde que, na sua grande maioria, não conheciam nem mesmo a capital de seu país quanto menos imaginavam caminhar por ruas européias.

E passado quase 70 anos da participação do Brasil no conflito, qualquer um que se interesse pelo tema FEB, tem ciência de que nossos soldados foram heróis. Porém o que poucos sabem é que não somente heróis foram por terem cumprido suas tarefas em campo de batalha, mas principalmente por terem vencido um inimigo ainda maior: o descaso de seu próprio governo e de seus compatriotas.

A fumaça da locomotiva marcava o itinerário e impedia que o rastro deste estranho animal se perdesse dos atentos olhares de uma platéia hipnotizada.
Foi quando um praça declarou a metáfora inevitável: “parece uma Cobra fumando”.
(…) alguém retrucou: “Você vai ver a cobra fumar, sim, mas vai ser quando jogarem a gente no fogo.”
Moura (…) presenciou a conversa bizarra. Para ele, foi ali que nasceu a expressão que viria a se tornar o símbolo da FEB, (…).

O livro “A Casa das Laranjas“, de Marcio Celestino Faria, foca a saga dos pracinhas oriundos de Bragança Paulista para retratar de forma empolgante e natural a rotina da FEB na Itália. Tal naturalidade dá ares reais às palavras do autor tecendo os heróis febianos como realmente foram: jovens simples que venceram inúmeras barreiras por um objetivo que não compreendiam.

No total 38 pracinhas bragantinos embarcaram para a batalha, porém os milhares que os acompanharam não destoavam de seus sentimentos, sonhos e intentos.

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Bonfeti, Bernardi, Caixa e La Salvia no Rio de Janeiro

Munido de depoimentos de pracinhas, cartas, jornais da época e vasta bibliografia, o autor reconstrói as paredes do velho galpão que originou o titulo do livro para nos envolver numa história que nos traz o riso, a emoção e em muitos pontos, a indignação.

A Casa das Laranjas é o tipo de leitura que nos faz refletir e sentir desejo de poder voltar no tempo, interferir no curso da história, na tentativa de fazer-se entender que a injustiça deve ser abolida.

Hoje faz um ano e quatro dias que eu me apresentei em Caçapava. Até parece mentira que faz tanto tempo assim. Mas se Deus quiser, até o fim do ano irei embora.

Trecho da carta de um pracinha, remetida aos pais em 24 de novembro de 1943.

(num tempo onde se acreditava que o Brasil não embarcaria para a guerra)

Aqueles que não se interessam pelo tema FEB ou Segunda Guerra podem ler A Casa das Laranjas com a convicção de que não se trata de um livro de Guerra, mas um livro de Crônicas Pessoais de jovens que foram obrigados a deixar suas vidas cotidianas e seguirem rumo ao desconhecido.

Normando arcava seu corpo franzino sob o peso da mochila – cheia de latas de ração C -, da munição e do armamento. (…) Após uma severa preparação de artilharia, os tedescos avançaram. O silêncio que procedeu foi funesto.

E, por sua vez, os entusiastas da Segunda Grande Guerra podem ler A Casa das Laranjas, satisfeitos em poder conhecerem os pormenores do dia-a-dia de combatentes que aprenderam a guerrear em campo de batalha. Que fizeram de suas armas os instrumentos para escreverem a palavra Honra na história do Brasil e da Segunda Guerra Mundial.

Emocione-se, ria, suspire, embarcando numa viagem empolgante pelas páginas de:
A Casa das Laranjas!

Autor: Marcio José Celestino Faria
ISBN: 978-85-909624-0-3
Editora: Edição Independente
Ano: 2009
Número de páginas: 263
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 25,00

Pontos de Vendas:
Em Bragança Paulista – Banca do Pardal (centro), Banca da Panificadora Estância e na Livraria da Praça, (Praça Raul Leme).
Na Internet: Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br) – Compre Já!

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Comentários

  1. Gostaria de conhecer ou entrar em contato com o sr. Moura, pois meu pai tbem foi FEBIANO, cabo e motorista, ele era de lins, (era do 4RI OU 6RI)

  2. Antonio, me passe um e-mail que posso te por em contato com o Moura. celestinofaria@bol.com.br
    Abraço.
    Marcio J. C. Faria

  3. Ola André.

    As cartas que você retrata no Livro são de meu tio Avô João. Comprei o Livro e minha família gostou muito.
    Parabéns.

    1. Olá, Bruno Basso!
      Fico feliz de ter encontrado menção ao seu avô através do Ecos da Segunda Guerra!
      Vale o mérito principal ao Marcio José Celestino Faria, autor do livro que conduziu a pesquisa e publicou esse livro importantíssimo para memória de nossos heróis da FEB e nossa história.

  4. Caro Márcio, bom dia! Percorrendo o site dos pracinhas de Bragança encontrei foto de meu cunhado ” Mingo Acedo” e seu primo Américo Acedo. Comuniquei o Dérek sobre a retirada da imagem para compor meu livro: ” Memórias de um menino quase feliz” que publicarei em breve. A quela imagem, muito boa por sinal, não está no álbum do meu cunhado. Assim tomei a liberdade de publicá-la. São memórias de infância vividas no Lava- Pés. Tenho 76 anos e desfilei com o Grupo escolar José Guilherme na volta dos pracinhas. O Dérek me pediu que citasse A Casa das Laranjas. Fiquei em dúvida que, acabei tirando hoje, sobre a sua mensagem da gerra. Não gostaria de citar em meu livro arroubos de ufanismo e fanatismo patriótico pois, conheço bem a realidade da 2a guerra, principalmente da participação, até certo ponto atabalhoada, dos nossos comandantes e dos comandados. A minha posição é crítica em relação a participação do Brasil e não gostaria de citar fontes ufanistas. Assim fico à vontade para citá-lo pois as suas crônicas não só irão enriquecer meu trabalho como confirmar o que digo- recolhido dos longos “papos” que mantive com meu cunhado. Conheci todos os 38 soldados pessoalmente, inclusive o Zecchim. O livro fala das memórias de um menino” que sou eu”, dirigido à crianças e adultos. A 2a gerra é apenas um capítulo. Quando publicá-lo o convidarei para o lançamento. Tenho minha própria editora: Edições Galinha Roxa e publico para todas as faixas etárias. Maiores informações sobre meu trabalho queira acessar: Google- Elvio Santiago de Jundiaí. Loja virtual : http://www.elviosantiago.com.br Meu tefefone: (11)45217802 Grande abraço . Elvio Santiago

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