Adolf Eichmann – O Homem responsável pela Logística do Holocausto

Karl Adolf Eichmann, filho de Karl Adolf Eichmann e Maria, nasceu no dia 19 de março de 1906 na cidade de Solingen e por causa da Primeira Guerra Mundial, ainda menino mudou-se para Áustria, em 1914.

Em 1932, já de volta a Alemanha, Eichmann ficou desempregado e recebeu convite de um amigo para filiar-se ao NSDAP, o partido nazista. Em 1934, serviu como cabo da SS no campo de concentração de Dachau, caiu nas graças de Reinhard Heydrich.

Devido seus estudos de obras sobre o Sionismo, recebeu a designação de coordenar a Secretaria de assuntos judeus.

Em setembro de 1937, ele foi enviado para a Palestina junto com seu superior, Herbert Hagen, para verificar as possibilidades de uma emigração em massa da Alemanha para tal região. Eles chegaram em Haifa, e somente obtiveram um visto de trânsito ao Cairo. Na capital egípcia, a dupla encontrou-se com um membro da Haganá. Desejavam falar com líderes árabes na Palestina, incluindo o Mufti de Jerusalém Amin al-Husayni, no entanto, as autoridades britânicas os proibiram. Hagen e Eichmann redigiram um relatório se opondo a emigração em larga escala para a Palestina por razões econômicas e por contradizer a política alemã de impedir o assentamento de um estado judaico ali.

A Solução Final

Eichmann foi participante da Conferência de Wannsee, realizada em 1942, na qual ele foi o responsável pela determinação dos fins sobre a “solução final da questão judaica”, sob ordens Reinhard Heydrich. Pouco tempo após a conferência, ele foi promovido a SS-Obersturmbannführer (Equivalente a Tenente-coronel), sendo nomeado chefe do Departamento da Gestapo IV B4, órgão que respondia por toda a logística de estudos e realização do extermínio em curso.

Adolf Eichmann foi acusado de ter causado a morte de milhões de judeus, de ter infligido sérios danos físicos e mentais a eles, nos territórios dos Estados ocupados pelas forças do Eixo, entre agosto de 1941 e maio de 1945.

Ele foi largamente responsável por toda logística do extermínio de pessoas durante o Holocausto, em particular Judeus, o que foi chamado de “Solução Final” (Endlösung). Ele organizou a identificação e o transporte de pessoas aos diversos campos de concentração nazista. Sendo conhecido como o ‘Executor Chefe’ do Terceiro Reich.

Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, Eichmann foi preso por tropas estadunidenses, mas em 1946 fugiu de um campo de prisioneiros de guerra.

A Captura pelo serviço secreto de Israel (MOSSAD) na Argentina

Detalhe do Passaporte que Eichmann usou como Riccardo Klement

Após diversas viagens – na Itália e no Médio Oriente -, fazendo uso de um passaporte falso conseguido com a Cruz Vermelha Internacional, ele partiu para a Argentina em 1950, onde residiu sob o nome de Ricardo Klement, levando, inclusive sua família para o país.

Em 11 de Maio de 1960, Adolf Eichmann foi sequestrado por agentes secretos de Israel liderados por Raphael Eitan da Mossad – Serviços secretos israelitas. Foi levado para Israel em 21 de Maio de 1960.

Julgamento

Adolf Eichmann foi julgado em Israel, num processo que teve inicio em 11 de Fevereiro de 1961. Acusado de 15 crimes, incluindo crimes contra a Humanidade, crimes contra o povo judeu e de integrar uma organização criminosa.

 

Eichmann baseou sua defesa principalmente na incompetência do tribunal para julgá-lo, argumentando que a base legal da acusação foi criada após os supostos crimes terem sido cometidos. Em segundo lugar, ele argumentou que Israel estava exercendo autoridade extraterritorial inadmissível, considerando que o próprio acusado era austríaco, os fatos alegados foram cometidos na Alemanha e a prisão ocorreu na Argentina. Portanto, ele argumentou, Israel não tinha jurisdição em seu caso. Finalmente, ele recorreu às noções “crimes do Estado” e “ordens superiores” para negar sua responsabilidade individual. Ele tentou se esconder atrás de Hitler como chefe de Estado e do governo nazista.

Para estabelecer sua jurisdição, o tribunal distrital de Jerusalém baseou seu argumento no caráter universal dos crimes dos quais Eichmann havia sido acusado. Assim, foi capaz de exercer jurisdição independentemente do lugar onde os crimes foram cometidos, ou da nacionalidade do acusado ou das vítimas, ou do local da detenção.

O tribunal distrital de Jerusalém chegou à conclusão de que Eichmann havia sido um elo importante na determinação e execução da Solução Final, levando em conta que ele estivera presente em todas as etapas de seu desenvolvimento.

Foi condenado em todas as acusações e sendo sentenciado a morte – a única pena de morte civil levada a cabo em Israel – no dia 2 de Dezembro de 1961, sendo enforcado poucos minutos após a meia-noite do dia 1 de Junho de 1962, na prisão de Ramla, próximo a Tel Aviv. Única exceção aberta pela lei israelense, a qual não prevê a pena de morte.

Em diversas declarações, Adolf Eichmann se dizia não ser anti-semita, executando apenas as ordens recebidas.

 

Holofotes

O julgamento causou polêmica e controvérsia internacional. O governo de Israel autorizou a transmissão ao vivo do julgamento. E o que o mundo pôde ver foi um homem sentado atrás de um vidro à prova de balas e som, tendo a frente muitos sobreviventes do Holocausto testemunhando contra ele.

No julgamento de Eichmann, 15 anos depois dos julgamentos de Nuremberg, a questão de se um tribunal poderia julgar crimes cometidos antes da adoção da legislação que os criminaliza foi adotada, foi novamente discutida. Na sentença de apelação, a Suprema Corte declarou que não apenas a proibição da retroatividade não correspondia a um princípio geral de direito internacional, mas era até injusta no que se refere a crimes particularmente graves, como aqueles de quem Eichmann foi acusado.

No mesmo julgamento, a jurisdição extraterritorial de um estado era justificada pelos caracteres dos crimes em questão. Com base na legislação internacional vigente e na atual doutrina, o Supremo Tribunal Federal reafirmou o princípio da jurisdição universal para crimes internacionais.

O tribunal evitou discutir as condições da prisão de Eichmann. Os direitos do acusado como indivíduo não foram considerados relevantes, uma vez que a questão deveria ser tratada em nível interestadual.

Resumindo, a prisão do Mossad na Argentina e o julgamento em Israel foram justificados pela natureza dos crimes dos quais Adolf Eichmann foi acusado, independentemente de onde foram cometidos, quando foram cometidos e onde a prisão foi realizada. .

 

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sobre André Almeida

Psicólogo, pós-graduado em Psicopedagogia & Neurociência e entusiasta acerca da Segunda Guerra Mundial. Escreve no Ecos da Segunda Guerra sob a perspectiva de compartilhar um pouco do que foi a maior guerra da humanidade na era moderna. Busca por conteúdos que retratem a história e também revelem o quão intrigante foi os detalhes que compuseram esse conflito de proporção mundial.

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Sem comentários

  1. Olá, gostei muito do site, estou fazendo um trabalho para a faculdade sobre os julgamentos históricos e o meu grupo ficou encarregado de apresentar sobre o julgamento de Eichmann.
    Gostaria de pedir a gentileza de se puder, mandar um e-mail com informações interessantes do caso para que eu possa complementar em meu trabalho.

    Obrigada desde já.

  2. João Lourenço da Silva Netto

    Tive a oportunidade ler todo artigo acima. Aproveito respeitosamente para informa-lo que tenho um site http://www.jlourenco.com que trata sobre a Segunda Guerra Mundial e nele está contido quae tudo sobre o conflito mundial inclusive sobre a prisão, julgamento e execução de Eichmann.
    Agradeço a atenção

    João Lourenço

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