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História da Segunda Guerra – O Inicio – Parte II

Política britânica

A crise de 1929, conhecida como o “crash” financeiro, teve grande impacto na Grã-Bretanha e resultou num grande desequilíbrio financeiro, que afetou duramente o comercio e a produção. O governo trabalhista de James Ramsay MacDonald, no cargo desde as eleições de maio de 1929, aumentou impostos e freou os planos de obras públicas, diminuindo os empregos. No ano seguinte, reduziu o seguro-desemprego para tentar controlar o déficit nas arrecadações. Essa medida dividiu o Gabinete e levou a sua dissolução, em 23 de agosto de 1931.

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A cRise de 1929 iniciou na Bolsa de Nova York com o estouro da "bolha" espaculativa

MacDonald formou, então, um “governo nacional”, com três ministros trabalhistas, quatro conservadores e dois liberais, provocando uma grave crise no Partido Trabalhista, que o expulsou. Nas eleições seguintes, o trabalhismo perdeu muito de sua influencia, ficando o partido sob o poder do honesto George Lansbury, que, entretanto não teve chance alguma de assumir o governo.

Em 1936, Stanley Baldwin, encabeçando outro “governo nacional”, articulou habilmente a abdicação do rei Eduardo VIII, quando este decidiu se casar com a estadunidense Wallis Simpson. O premie conseguiu que o duque de York, irmão do rei, ocupasse o trono como Jorge VI, para não abalar o prestigio da Coroa.

A forma de “governo nacional” prolongou se ate 1937 com MacDonald e Baldwin, apoiados por liberais e trabalhistas-nacionais, ate que os conservadores, liderados por Neville Chamberlain, dominaram a situação e formaram um novo governo, que reduziu os custos sociais, os gastos do Estado e os juros. Em conjunto, os governos nacionais de MacUonald e Baklwin e do conservador de Chamberlain conseguiram contornar a crise. A economia ressuscitou, o desemprego diminuiu e a renda nacional estabilizou se. Apesar do desemprego e de importantes bolsões de pobreza, o consumo das massas cresceu, e Chamberlain autorizou as primeiras ferias remuneradas de uma semana para todos os trabalhadores.

O radicalismo político britânico estava reduzido a partidos sem grande projeção, enquanto o Partido Comunista contava somente com o deputado Willie Gallagher. O futuro líder fascista Oswald Mosley abandonou o Partido Trabalhista, levando consigo apenas meia dúzia de deputados. Em 1931, foi criado um novo partido, chamado União Britânica dos Fascistas, que concorreu somente nas eleições de outubro daquele ano.

Hitler cativa Mussolini: nasce o Eixo

hitler-e-mussoliniEnquanto a guerra na Espanha absorvia a maior parte das discussões internacionais, a Alemanha e a Itália assinaram, em 2 de outubro de 1936, um pacto de ajuda mutua e de relações amistosas. A ideia do eixo Roma Berlim partiu de uma iniciativa da Itália, que rompeu seu isolamento internacional, decorrente da invasão da Abissínia e da saída da Liga das nações. Os dois países tinham em comum seus planos expansionistas. A formação do Eixo deixou o caminho livre para a Alemanha anexar a Áustria, pois o fascismo austríaco havia perdido o apoio de Mussolini.

Em l0 de novembro de 1937. Hitler assinou o “Protocolo de Hossbach”, firmado em uma reunião da qual participaram o coronel Hossbach, o marechal de campo Werner von Blombach (ministro da Guerra), os três comandantes das Forças Armadas (Werner von Frisch, do Exercito; Erich Raeder, da Marinha, e Hermann Goring, da Aeronáutica), alem de Konstantin von Neurath, ministro de Assuntos Exteriores. Hitler expôs sua intenção de ocupar a Áustria e invadir a Tchecoslováquia no ano seguinte e atacar a URSS ate 1942.

Porem, os generais Blomberg, ministro da Guerra, Frisch, do Exercito, não concordavam com a guerra proposta por Hitler. Para desmoralizá-los, membros do Partido nazista articularam dois escândalos.

Blomberg era viúvo havia sete anos e casara-se com sua secretaria, Erna Gruhn. O chefe de policia de Berlim, Wolf Heirinch Graf von Helldorf, recebeu um comunicado vazado pelas SS, afirmando que Erna havia sido prostituta, assídua em clubes noturnos, e que sua mãe era dona de uma casa de massagem. O documento chegou oportunamente às mãos dos generais, que se sentiram ofendidos. Mesmo assim, Blomberg não anulou seu casamento e acabou destituído. Tentou, então, afastar-se do poder e abandonou o Exercito. Isso não adiantou: foi preso e ficou detido em Nuremberg ate sua morte, em 22 de agosto de 1946.

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Os generais Frisch e Blomberg, opositores das ideias nazistas

O escândalo tramado contra Frisch, um aristocrata sem nenhuma simpatia pelo nazismo, foi ainda pior. Ele foi falsamente acusado pelas SS de homossexual. Questionado por Hitler, na presença de Goring, o general jurou que a acusação era falsa. Entretanto, um conhecido chantagista seguiu acusando o general. Frisch foi destituído e conduzido a sede da Gestapo, onde foi obrigado a passar por um corredor formado por marginais de Berlim, a fim de que pudessem identificá-lo. Contudo, inesperadamente, descobriu-se que o general era inocente: o culpado da “acusação de homossexualidade” seria um capitão de cavalaria de nome parecido. Apesar de tudo, Frisch permaneceu destituído de seu cargo e morreu em combate em 1939.

Livre de opositores em seu governo, Hitler criou, em 4 de fevereiro de 1938, um órgão de coordenação militar para a guerra iminente: o Oberkommando da wehrmacht, sob as ordens do marechal Wilhelm Keitel. Também foi criado um órgão diplomático, a cargo do novo ministro de Assuntos Exteriores, Joachim Von Ribbentrop, membro do Partido Nazista.

A Anexação da Áustria

O antisemitismo estava profundamente enraizado na Áustria. Havia uma massa de jovens desempregados e descontentes com o governo. Eles logo simpatizaram com as mudanças que os nazistas prometiam. Isolado em suas relações internacionais, o chanceler austríaco Schuschnigg, procurou o apoio da Alemanha e, em 12 de fevereiro de 1938, reuniu-se com Hitler na cidade de Berchtespaden. O resultado foi à anistia dos prisioneiros nazistas na Áustria e a nomeação do nazista Arthur Seyss-Inquart como ministro do Interior.

Diante da ameaça de uma invasão alemã, em 9 de março, Schuschnigg convocou para 13 de marco um plebiscito sobre a independência de uma Áustria livre, social e cristã. Tarde demais. Em 1 de marco de 1938, Hitler deu um ultimato a Schuschnigg e exigiu sua renuncia.

Londres desculpou-se por “não encontrar-se em condições de proteger a Áustria”. Muito menos Mussolini deu-se ao trabalho de enviar tropas a Brennero. O chanceler renunciou com um discurso que terminava com as palavras: “Deus proteja Rússia”.

O presidente austríaco, Wilhelm Miklas, não aceitou a pressão de Hitler para que nomeasse Seyss-Inquart chanceler. Este, na noite de l de marco, convocou as tropas alemãs. No dia 12, a Áustria foi ocupada sem resistência e, no dia 13, foi declarada parte do Terceiro Reich – o que foi ratificado por um plebiscito subsequente, com resultado de 99,73% dos votos favoráveis a anexação.

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Cédula de votação do plebiscito de 10/04/1938. O texto diz "Você concorda com a reunificação da Áustria com o Império Germânico realizada em 13 de março?

Nenhum Estado se mexeu para impedir a anexação da Áustria. Tudo o que Londres fez foi advertir a Áustria de que reagir contra a Alemanha lhe traria graves perigos, contra os quais a Inglaterra não poderia ajudar. A Franca estava empenhada em resolver sua própria crise interna. A Tchecoslováquia e a Polônia permaneceram indiferentes.

Tchecoslováquia, e depois, Polônia

Decidido a ocupar todos os territórios com população germânica, Hitler voltou suas atenções para a Tchecoslováquia, um Estado federal situado entre a Alemanha, a Polônia e a URSS. Criado em 18 de outubro de 1918 pelo Tratado de Versalhes, o pais abrigava varias minorias, entre elas a alemã, concentrada na região dos Sudetos.

As pressões dos nazistas por essa região tornavam a guerra uma possibilidade. Para evitá-la, Hitler e Mussolini reuniram-se em Munique com os primeiros-ministros do Reino Unido, Neville Chamberlain, e da Franca, Edouard Daladier.

As exigências e pressões de Hitler fizeram que, na noite de 30 de setembro de 1938, os premiês aceitassem um plano, apresentado por Mussolini (e, na verdade, traçado secretamente por Goring) de desmembrar a Tchecoslováquia e incorporar os Sudetos a Alemanha. Essa medida foi apresentada como uma simples revisão do Tratado de Versalhes.

Não houve representantes tchecoslovacos na conferencia, e o governo de Praga, liderado por Edvard Benes, viu-se traído pelas democracias ocidentais. Ele manifestou sua repulsa a uma decisão “sobre nos. mas sem nos” e qualificou o acordo como uma “traição de Munique”. As democráticas Inglaterra e Franca deixaram que outra democracia fosse agredida por um ditador. No entanto, Chamberlain e Daladier retornaram a seus países vangloriando-se como promotores de uma paz definitiva.

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Medalha comemorativa da Ocupação dos Sudetos

As tropas alemãs ocuparam os Sudetos. Concederam apenas três dias para que toda a população não germânica abandonasse a região. Os residentes germânicos foram convertidos automaticamente em cidadãos do Terceiro Reich. O presidente Benes renunciou e, entre idas e vindas entre Grã-Bretanha e Estados Unidos formou um governo de exílio em Londres, em 1940.

Como já se tornava habitual, Hitler não cumpriu suas promessas. Ele se comprometera a respeitar o restante da Tchecoslováquia, mas, em 21 de outubro, começou a preparar um plano que se concretizaria entre 15 e 16 de março de 1939. As tropas alemãs invadiram o pais, e a Tchecoslováquia foi extinta como Estado. Sobre o território invadido, os nazistas criaram o Estado Eslovaco e o Protetorado de Romênia e Moldávia.

A URSS condenou o pacto de Munique e suas consequências, e entendeu que a Franca e a Inglaterra preferiam negociar com Hitler a sentar-se com Stalin. A partir dai, a diplomacia soviética iniciou sua aproximação, ao com a Alemanha nazista.

O passo seguinte de Hitler foi enviar ao governo da Polônia, em 21 de marco de 1939, uma serie de exigências: anexar à cidade de Dantzig e o “corredor polonês” ao Terceiro Reich – no corredor seria construída uma estrada e uma ferrovia para ligar a Alemanha a Prússia Oriental. A imprensa alemã, controlada pelo governo, publicava seguidas reivindicações em relação à Dantzig, que foram se ampliando para o corredor polonês e os territórios de Posen e da Alta Silésia.

A Lista das Nações havia estabelecido um protetorado em uma antiga zona alemã na costa do mar Báltico. Sua capital era Memel (hoje Klapeida, na Lituânia). Com o nome de território de Memel, essa região estava sob o controle político da Franca. O protetorado acabou em 1923, e a região passou para o controle da Lituânia. Porem, em março de 1939, Hitler exigiu que a Lituânia fosse anexada ao Terceiro Reich.

Mesmo assim, acreditando que os franceses e britânicos protegeriam a Polônia, o governo polonês declarou, em 26 de marco de 1939, que não atenderia as exigências alemãs. Hitler recorreu, então, a sua aliança com a Itália para dissuadir a Franca e a Grã-Bretanha de apoiarem a Polônia. Afirmou a esses países que tinha um pacto de ajuda mutua e de amizade com a Itália, também chamado de “pacto de aço”, assinado por Galeazzo Ciano e Joachim von Ribbentrop em 22 de maio, e que seria colocado em pratica em caso de guerra. Apesar disso, Mussolini ainda vacilava sobre a conduta a seguir se o conflito estourasse.

Fonte: Coleção 70º Aniversário da Segunda Guerra Mundial– Nº01 – Editora Abril

Ricardo Lavecchia

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